Abrigo de violência doméstica em Nova York vai incluir animais de estimação

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Em Nova York, animais de estimação vão poder ficar, junto com suas famílias, no primeiro abrigo para vítimas de violência doméstica com esta finalidade.

* Pela Associated Press para o New York Times

Desde os pisos fáceis de limpar até uma sala colorida para cães e gatos, um edifício em Nova York é claramente um lugar para animais de estimação.

Mas, não é um hospital para animais nem uma creche para cães. Em vez disso, é o que os organizadores dizem ser o primeiro grande abrigo dos Estados Unidos para vítimas de violência doméstica manterem seus animais de estimação em seus apartamentos.

Com previsão de inauguração para outubro, o local tem capacidade para até 100 pessoas. A ideia se baseia em uma lista crescente de abrigos que acomodam animais para que seus proprietários não hesitem em deixar as residências onde sofrem abusos.

Segundo os organizadores este é o primeiro abrigo deste tamanho projetado especificamente para que cada apartamento abrigue pessoas com animais de estimação.

“Ao planejar o abrigo desta forma desde o começo, não apenas com os seres humanos em mente, mas pensando também nos animais de estimação, será possível uma recuperação mais completa para as famílias e seus animais”, diz o Dr. Kurt Venator, veterinário que está contribuindo com suprimentos e expertise para o projeto.

Projeto conta com apoio privado e governamental

O Urban Resource Institute (URI), operador de abrigos, está administrando o local. Ele é financiado por doações privadas e por algum apoio do governo.

Estudos documentaram ligações entre a violência doméstica e a crueldade contra os animais. Foi observado a relutância de algumas vítimas em sair de casa sem seus animais de estimação. Alguns temem que seus agressores retaliem os animais, prejudicando-os.

O número de abrigos de violência doméstica que aceitam animais de estimação nos EUA cresceu de quatro em 2008 para dezenas nos últimos anos. Mas cerca de 97% dos abrigos ainda não aceitam animais de estimação, de acordo com o CEO do Urban Resource Institute, Nathaniel Fields.

O URI abriu 52 apartamentos que aceitam animais de estimação em Nova York nos últimos quatro anos. Mas, recebeu cerca de 350 pedidos a mais do que poderia atender.

Os defensores de abrigos que aceitam animais de estimação têm se deparado com algumas questões. Uns dizem que os animais desviam os recursos destinados às pessoas abusadas. Outros não entendem como pessoas que temem pelas próprias vidas podem pensar em animais de estimação. Fields diz que para muitas vítimas: “Não é um ou outro”.

Animais de estimação ajudam na recuperação de pessoas agredidas

Hope Dawson adotou sua cachorra, Coco, para animar seus dois filhos depois que eles acordaram com sons de objetos arremessados. A polícia levou seu namorado para longe de sua casa em Houston em dezembro de 2015. Ela logo decidiu se mudar para Nova York para fugir dele.

Ela tinha economias e um vale-moradia, mas não conseguiu encontrar um apartamento. Acabou se mudando com seus filhos para um abrigo sem animais de estimação. Uma agência concordou em ficar com Coco por 30 dias. Depois disso, a família teria que considerar desistir da cachorra. Dawson ainda se emociona pensando como seria para as crianças que já passaram por muitas coisas.

“A maneira como ela apenas olha para nós e interage conosco nos faz sentir tão confortados e cuidados, que era algo que não seria capaz de ser substituído e nós precisávamos tanto disso”, diz Dawson, 32. “Quando ela voltou para nós, realmente trouxe a luz de volta à nossa situação “.

As instalações da URI receberam 118 animais em quatro anos. Foram gatos, cachorros, tartarugas, pássaros, peixes, um porquinho-da-índia e um dragão barbudo.

Abrigo em Nova York foi pensado para receber animais de estimação

O novo abrigo de sete andares e 30 apartamentos terá uma sala para animais de estimação compartilhada e um parque de cachorros isolado. Isso, para que os moradores que têm medo de que os agressores os encontrem não precisem sair para passear com os cães.

As janelas não abrem o suficiente para que os gatos saiam. Mas, pode haver estantes para que os felinos possam olhar para fora. O piso não será muito escorregadio ou muito pegajoso para as patas. A tinta não será branca brilhante, já que alguns materiais sintéticos podem parecer fluorescentes para gatos e cães, explicou Venator.

Dawson, por sua vez, mudou-se com sua família para seu próprio apartamento depois de seis meses no abrigo. Ela está trabalhando como motorista, seus filhos estão no ensino médio e Coco está indo bem.

“Quando tudo isso acontece com você, ter um animal de estimação realmente ajuda”, diz ela.

*Fonte: New York Times

*Imagem: divulgação

 



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