Como o veganismo mudou a minha vida

0

Ao adotar o veganismo, o ativista Bernardo Braga de Oliveira passou por muitas mudanças em sua vida. No artigo a seguir, ele relata como parar de consumir produtos de origem animal o tornou uma pessoa mais saudável, ética e melhor.

*Por Bernardo Braga de Oliveira

Veganos são esquisitos. A maioria dos veganos (principalmente aqueles que aderiram a este estilo de vida recentemente) parece fazer parte de uma seita, onde tentam constantemente converter as outras pessoas ao seu redor, e faz comentários com uma pitada de julgamento e um tom de superioridade. Por que será que isso acontece? Por que não respeitar as escolhas de cada um?

Há anos, eu pensava desta forma.

Despertar para o veganismo

Eu vivia na Holanda e trabalhava em uma multinacional do setor alimentício, com uma rotina estressante e sem muita vida social. Minha vida havia se limitado ao trabalho, e pior: um trabalho que eu detestava. Isso me levou a ter ataques de ansiedade, que foram o estopim para uma reinvenção pessoal. Dentre as inúmeras coisas que eu mudei, a adoção do Veganismo se firmou como o pilar central dos meus valores pessoais.

Como que, em tão pouco tempo, a pessoa do primeiro parágrafo poderia se transformar em um vegano ativista que decidiu largar uma carreira promissora para se dedicar 100% a esta causa?

Durante aquele período turbulento em que eu buscava formas de me sentir melhor, fui a alguns eventos e palestras de empreendedorismo, autodesenvolvimento, e devorei muito conteúdo (livros, filmes, documentários, YouTube, Podcasts, etc.) que me expuseram às ideias de pessoas revolucionárias que desafiam o status quo e pregam o pensamento independente.

Uma das coisas que me marcou nessa fase foi a quantidade de vezes em que pessoas brilhantes mencionaram os benefícios do Veganismo para a sua saúde e bem-estar.

Decidi, então, começar um experimento pessoal, onde eu seria vegano por duas semanas, embora não tivesse muita confiança na minha capacidade de manter tal disciplina por mais tempo (afinal, eu sempre havia sido um carnívoro de primeira!).

Cinco dias após começar o desafio, eu me lembro claramente de acordar às 6h para ir trabalhar, e me sentir mais vivo do que nunca.

Como o veganismo melhorou a disposição física e mental

Estava cheio de energia, com bom-humor, me sentindo saudável, o que parecia inacreditável (durante anos eu sempre me arrastava pra fora da cama e tomava dois cafés antes de começar a pensar em enfrentar o dia). Era primavera na Holanda, e do lado de fora da minha casa chovia e fazia cerca de 5º C, o que normalmente seria um belíssimo incentivo para alimentar meu tradicional mau-humor matinal.

À medida que os dias foram passando, eu percebi que estava menos estressado, com menos oscilações de humor, dormindo melhor e com mais energia para enfrentar um treino pesado após 12 horas de trabalho.

Era como se eu fosse um automóvel à gasolina que rodou no diesel desde o primeiro dia, e agora estivesse com o combustível certo. Não sei exatamente qual foi o dia em que eu oficialmente virei vegano, mas é fato que antes dos 15 dias de desafio acabarem, eu já não considerava mais a hipótese de voltar a comer produtos de origem animal.

Essa melhora gigantesca na minha saúde e bem-estar me motivaram a pesquisar cada vez mais sobre veganismo e, quanto mais eu me aprofundava no assunto, mais evidente era o fato de que a espécie humana não foi biologicamente feita para comer carne, queijo, ovos, etc.

Documentários ajudaram na transição para o veganismo

O apelo da saúde — tão evidente em documentários como What the Health (saiba mais aqui) e Forks Over Knives (conheça aqui) — passou a ser apenas um dos pilares para justificar o meu novo estilo de vida.

Assistir ao documentário Terráqueos (Earthlings) (leia mais aqui) me permitiu enxergar o que os nossos hábitos alimentares significam em termos de sofrimento de incontáveis seres nesse planeta. A própria indústria para a qual eu trabalhava estava ali desmascarada em frente aos meus olhos. As cenas me davam nojo.

Bilhões de seres inocentes sendo mutilados, torturados e mortos sem necessidade, para atender uma demanda gerada simplesmente por condicionamento cultural. O documentário Cowspiracy (confira mais aqui) me mostrou que a agricultura animal também era responsável por uma destruição ambiental em escalas inimagináveis.

Pronto. Meu Veganismo havia se tornado um propósito de vida. Algo inabalável e que me daria motivação para buscar uma carreira motivadora que me permitisse lutar por um mundo mais justo e sustentável. Mas, primeiro, eu precisava sair do trabalho onde estava.

Já de volta ao Brasil e com a consciência limpa de não mais ganhar meu dinheiro às custas de sofrimento alheio, eu hoje me sinto em harmonia, saudável e na melhor forma física que já tive. Mas, isso não era o suficiente: não contribuir para o problema já era um grande avanço, mas ao meu redor, quase todas as pessoas continuavam indiferentes à minha mensagem, e insistiam em ingerir produtos de origem animal.

A importância do ativismo para o veganismo

Foi nessa época que me lembro de assistir a um vídeo no YouTube da Animal Rights March de Londres. Nele, o ativista Earthling Ed discursava para milhares de pessoas:

A mensagem do vídeo me marcou demais. Ele dizia:

“Imagine que você está andando pela rua. De repente, vê uma pessoa espancando um cachorro com um pedaço de pau. Esta pessoa te convida para pegar outro pedaço de pau e se juntar a ele espancando o cachorro. Imediatamente você é confrontado com três alternativas:

i) Você aceita o convite e se junta ao agressor, espancando o cachorro;

ii) Você diz “Eu não concordo com o que você está fazendo. Portanto, não vou te ajudar”;

iii) Você se recusa a participar e também interfere na agressão, o impedindo de espancar o cachorro.

A primeira alternativa é o equivalente a consumir produtos de origem animal. A segunda alternativa é o equivalente a se tornar vegano, e não contribuir para o sofrimento. A terceira alternativa é o Ativismo, e a única alternativa onde o animal sobrevive.

Portanto, para mim não bastava apenas ser vegano. Eu precisava começar a contribuir ativamente para o fim da exploração de outras espécies. A grande maioria das pessoas neste planeta é capaz de sentir compaixão, e ser contra abuso e violência desnecessários. Elas também são vítimas de um sistema de opressão fruto de um condicionamento cultural que vem sendo espalhado por séculos.

Como a sociedade precisa da reflexão para estabelecer conexões

Se não é necessário consumir estes produtos para sobreviver, então, não há justificativa moral para que continuemos causando tamanha devastação e sofrimento. Quanto mais pessoas fizerem esta conexão e compreenderem esta mensagem, mais rápido alcançaremos um mundo vegano.

É exatamente por este motivo que, aos olhos do não-vegano, veganos são tão “radicais”. Não se trata de uma questão de escolha pessoal, pois há uma vítima envolvida nessa escolha.

Ativismo é essencial para que o mundo se torne vegano

O ativismo de rua com o grupo Anonymous for the Voiceless ganhou cada vez mais importância em minha vida, e se tornou a melhor parte dos meus domingos, em que passo horas conversando com pessoas de todas as origens, raças, classes sociais, os conscientizando a respeito do assunto e desmascarando essa indústria cruel.

No entanto, existem várias outras formas de ativismo além da conscientização. Uma das mais importantes é o empreendedorismo: quanto mais fácil e conveniente for a transição para o veganismo, mais pessoas terão a disciplina e coragem de adotar este estilo de vida. Veganismo se espalha não apenas pelo cérebro, mas também pelo estômago.

Não importa o que aconteça no meu futuro, de uma coisa eu tenho plena certeza: continuarei lutando para que um dia possamos viver em um mundo vegano, onde os animais sejam reconhecidos não como produtos, mas como indivíduos merecedores de compaixão e respeito.

Enquanto este dia não chega, farei minha parte. Este texto é um exemplo disso.

Bernardo Braga de Oliveira é ativista que luta em prol dos direitos dos animais e pelo veganismo. Participa de atos do grupo de libertação animal Anonymous for the Voiceless.

*Fonte: Bernardo Braga de Oliveira

*Imagem: Wildwood Farm Sanctuary

Obs.: o conteúdo deste artigo é de responsabilidade do autor.


Você também pode gostar de ler:

Perdi amigos quando me tornei vegano – agora estou muito mais feliz

5 maneiras de ajudar seus amigos a adotarem hábitos veganos

Usando uma variedade de táticas no ativismo animal
 



Deixe seu comentário