O veganismo está mudando nossa forma de se comunicar?

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O veganismo, além de mudar os hábitos alimentares e de consumo como um todo, também pode ser o responsável pela nossa forma de se comunicar. Com o avanço deste modo de vida na sociedade, as pessoas estão se adaptando aos nomes dos produtos veganos e refletindo sobre expressões populares agressivas em relação aos animais.

*Por Kat Smith para o LiveKindly

Entre novos produtos alimentícios, requisitos de rotulagem e ditados desatualizados, a dieta vegetariana estrita está desempenhando um papel importante na forma como nos comunicamos.

Usar termos diferentes não é novidade em produtos veganos. De acordo com a publicação Female First, o leite de soja foi chamado de “alimento líquido de origem vegetal” na década de 1960.

O sorvete de soja passou por um caso semelhante. Em 1951, o USDA (U.S. Department of Agriculture) alegou que o doce da marca Chill-Zert tinha que ser chamado de “sobremesa imitação de chocolate”. O fabricante lutou contra a lei e ganhou. Os produtos de carne vegana recebiam também nomes como “pedaços sem frango” e assim por diante.

Veganismo: expressões em batalhas na Justiça

Hoje, as indústrias de carnes e laticínios não estão satisfeitas com as opções veganas que levam nomes tradicionais. A comida vegana está se tornando cada vez mais popular. Onde há cinco anos era disponível apenas uma marca de hambúrgueres vegetarianos, as alternativas agora são abundantes.

Uma lei aprovada em Mississippi (EUA) em março de 2019 estipula que os produtos de carne vegana não podem ser legalmente chamados de “carne”, mesmo que a embalagem deixe claro que é baseada em vegetais.

Uma luta semelhante está ocorrendo agora também na Europa. Uma proposta apresentada ao Parlamento Europeu, em março de 2019 pelo deputado francês Eric Andrieu, tornaria ilegal chamar produtos que não contenham carne de “hambúrguer”, “salsicha” ou “bacon”.

Ambas as leis tiveram retrocessos. A Associação de Alimentos Baseados em Vegetais (PBFA), que representa mais de 140 marcas de alimentos veganos, entrou com uma ação contra o Mississippi no início de julho de 2019, alegando que a lei 2922 viola o direito da Primeira Emenda à liberdade de expressão.

Termos como “hambúrguer”, “salsicha” e “bacon” são todos familiares aos consumidores, assim como o vocabulário de laticínios (“leite”, “queijo”, “manteiga” e “sorvete”). O processo também diz que a legislação é um resultado de lobistas da carne, que estão se sentindo ameaçados pela crescente popularidade da comida vegana.

Veganismo: a luta em relação aos rótulos de alimentos veganos

A lei do Mississippi é nova, mas não é a primeira vez que alimentos que parecem produtos de origem animal têm sido alvo. A PBFA recentemente defendeu leis de rotulagem de carne e laticínios que mudariam o idioma das embalagens em quase 30 estados.

“A arena apropriada para enfrentar a concorrência está no mercado, falando diretamente com os consumidores. Não é para pressionar seus amigos políticos para conseguir o que desejam”, disse Michele Simon, diretora executiva da PBFA. “Nossos parceiros estão competindo justamente no mercado.”

Nomes alternativos são muitas vezes o resultado de querer evitar problemas legais em torno da rotulagem. Mas, as pessoas ainda tendem a chamar produtos baseados em vegetais pelo que aparentam. Quantos de nós pegamos um litro de “sobremesa gelada não-seca” e não a chamamos de “sorvete vegano”?

Os criadores de animais para consumo afirmam que o uso de termos familiares confunde os consumidores. Mas, estudos mostraram que as pessoas geralmente entendem que “leite de amêndoa”, “bebida de amêndoa não seca”, significam leite de amêndoa e não leite de vaca.

Veganismo: provérbios ofensivos

Há outras maneiras nas quais o veganismo está provocando uma mudança na linguagem. A PETA (People for the Ethical Treatment of Animals) salientou que nem todas as expressões são amigas dos animais.

Em um post no começo de 2019, a organização sem fins lucrativos sugeriu fazer trocas como “alimentar duas aves com um bolinho”, em vez de “matar dois coelhos com uma cajadada só”; “levar para casa os bagels”, em vez de “bacon” e “mais de uma maneira de descascar uma batata”, em vez de “esfolar um gato”, por exemplo.

O post foi criticado pela imprensa tradicional. Muitos disseram que a PETA levou as coisas longe demais. Mas, abriu a discussão de que mudar a maneira como falamos também pode modificar a forma como vemos os animais.

O mesmo pode ser dito da comida. Como a PBFA revelou, os consumidores já entendem que carne, leite, entre outros, não precisam vir de um animal.

*Fonte: LiveKindly

*Imagem: divulgação

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