Ursa Marsha: do extremo calor de Teresina (PI), para o Santuário Rancho dos Gnomos, em SP

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Na última sexta-feira (21), a ursa Marsha finalizou um ciclo de sofrimento que vivia desde filhote. Uma equipe de resgate realizou o processo de transferência do animal para o Santuário Rancho dos Gnomos (veja aqui), em São Paulo. Marsha ficava em um zoológico em Teresina (Piauí).

A operação contou com a ajuda da Força Aérea, que disponibilizou um avião com uma jaula climatizada. Depois que chegou em São Paulo, a ursa viajou por volta de três horas de estrada até o santuário.

De acordo com denúncias de representantes de organizações ligados à causa animal, a ursa estava passando por maus-tratos. Ela era alimentada com ração de cachorro, além da estrutura não ser adequada, principalmente devido às condições climáticas, que ultrapassam os 40ºC. Para um animal típico do hemisfério norte, a temperatura da região nordeste era debilitante.

Segundo os ativistas que acompanham o caso, a ursa já demonstrava um quadro clínico de depressão. Devido à sua expressão nítida de desolamento, ela ficou conhecida como “a ursa mais triste do mundo”.

Sua história ganhou repercussão em 2017, quando internautas se mobilizaram e criaram um abaixo-assinado para a transferência dela. O caso foi exibido em diversas emissoras de televisão no ano passado (veja aqui).

Ursa Marsha: complicações na Justiça

No final de 2017, o juiz Frederico Botelho de Barros Viana havia determinado a transferência do animal para o santuário Rancho dos Gnomos, em São Paulo, que tem um recinto construído especialmente para ela, desenvolvido pelo Instituto Luisa Mell, com o apoio de Carolina Mourão, da ONG Carol dos Animais (conheça aqui).

Entretanto, o desembargador Jirair Aram Meguerian, do Tribunal Regional da 1ª Região, derrubou a liminar, com a justificativa de que o transporte do animal colocaria em risco sua saúde.

Inconformada com a decisão, uma organização de defesa da natureza e dos animais criou uma petição online, que contou com quase 50 mil assinaturas. O caso foi, então, reaberto e, após meses de resistência do zoológico, a Justiça acatou o pedido para transferir a ursa Marsha para o santuário.

A ativista Luisa Mell declarou em suas redes sociais que já estava embarcando ao Piauí, para acompanhar a transferência do animal. “Esta é uma conquista histórica! Só foi possível graças a união de muitas pessoas, ONGs, poder público”, argumenta. Leia o post completo aqui.

Sofrimento da ursa Marsha começou cedo

A ursa foi retirada de seu habitat natural na Rússia, quando ainda era filhote, por traficantes de animais. Desde cedo, foi obrigada a trabalhar em circos, onde levava choques, surras e ficava sem alimentação por várias vezes. Depois, Marsha foi vendida para o Parque Zoobotânico de Teresina, onde vivia desde 2011, com um clima quente que não estava acostumada e que, aos poucos, iria degradá-la.

A história da ursa chamou atenção de ativistas, protetores de animais e da mídia. Perfis nas redes sociais foram criados, com o objetivo de pressionar a Justiça a transferir o animal para um espaço livre de exploração e que fornecesse melhores condições a ela. Acesse aqui o Instagram dela e aqui seu Facebook.

*Fontes: Folha de S. Paulo; R7; Bahia Notícias

*Imagem: Instagram



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