O fim da teoria mecanicista em relação aos animais

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Neste artigo, o jornalista Gilberto Pinheiro relata que, durante séculos, ecoou erroneamente pelo mundo que os animais são seres desprovidos de consciência. Desde então, eles vêm sofrendo horrores nas mãos dos humanos, seja em laboratórios, indústria alimentícia, para entretenimento e todo tipo de exploração possível. Gilberto expõe como o ser humano, que não entende seus próprios limites e respaldado em sua falsa superioridade, continua olhando os animais com desprezo, como seres sujeitos ao seu bel-prazer, nada mais que isso.

“É preciso que entendamos que mesmo que os animais não tenham capacidade de resolver uma equação matemática, somar, dividir, o que importa é que eles têm vida e, se têm vida, logicamente, sentem”, diz Pinheiro em um dos trechos de seu artigo. Leia na íntegra a seguir.

*Por Gilberto Pinheiro

Durante séculos, ecoou erradamente pelo mundo que os animais são seres desprovidos de consciência.

Animais: teoria mecanicista em relação a eles perdurou durante séculos

A teoria mecanicista em relação aos animais perdurou durante séculos. Tudo ficou evidenciado a partir de René Descartes, filósofo e matemático, que viveu entre os séculos XVI e XVII, totalmente adepto dessa conceituação materialista, entendendo de forma simplória e pensamento raso que eles eram seres vivos e semoventes, ou seja, que se movimentavam, mas, excluídos das capacidades cognitivas e sensoriais, as existentes na espécie humana. Nas sombras dessa conceituação excludente e unilateral, entendia que eles, animais, não eram dotados de sentimentos, emoções, como sabemos hoje em dia. Portanto, em vez de especismo, antropocentrismo, devemos entender a vida como um todo, ou seja, um outro conceito mais justo, conhecido como biocentrismo. Eu penso assim!

Para Descartes, eram úteis para consumo humano e experiências laboratoriais. E, por incrível que pareça, essa concepção errônea influenciou toda Europa, principalmente, quando a ciência começou a ganhar corpo e dimensão, utilizando-os para fins de pesquisas científicas. É inadmissível que um ser humano dedicado às ciências exatas e à arte filosófica não tenha tido capacidade de observar melhor o comportamento animal. É preciso que entendamos que mesmo que os animais não tenham capacidade de resolver uma equação matemática, somar, dividir, o que importa é que eles têm vida e, se têm vida, logicamente, sentem.

Animais: ser humano se julga superior e trata demais espécies com desprezo

Observem o prodígio de Deus, criando milhares de espécies diferentes, tanto no reino animal como vegetal. O ser humano no limo de sua falsa superioridade e obscurantismo, sempre olhou a fauna com algum desprezo, entendendo os animais como seres sujeitos ao seu bel-prazer, nada mais que isso. Esses mesmos humanos, que se sentem superiores, não entendem os seus próprios limites. Por acaso, algum deles é capaz de criar uma simples semente de feijão, por exemplo, do nada? É capaz de criar um grão de areia? Claro que não! Então, por que tanta soberba?

A mão de Deus na criação das espécies? Eu entendo que sim!

Não acredito na teoria do acaso. Na verdade, o acaso tem íntima ligação com o fator aleatório e esse, por sua vez, com o caos, e o caos não cria absolutamente nada – é a própria desorganização. E, se criasse, não haveria formas diversas, complexas e tão perfeitas. Esse silogismo demonstra com simplicidade que houve uma energia inteligente criadora de todas manifestações de vida. Não sou materialista!

Animais: a concepção mecanicista, especista, ou materialista não têm muito eco atualmente

A concepção mecanicista, especista, ou materialista não têm muito eco nos dias de hoje. A não ser entre pessoas que não estudam ou não gostam de animais. Cada um deles traz consigo certas peculiaridades em seus DNA’s, tornando-os diferentes.

Os coelhos são mansos, bonitos, convivem bem com humanos que os saibam amar e têm consciência do que está à sua volta; o João de Barro, com sua inefável beleza na construção de sua casa através de singular engenharia, algo que, possivelmente, advém do fenótipo de suas células, pois, todos eles assim agem, com maestria e perfeição não é obra do acaso. Não seria a mão de Deus na criação das espécies?

Animais: todo ser senciente merece ser feliz – nós e eles

Resumindo: é impensável que apesar de o tempo ter passado, os animais ainda sejam entendidos como meras “coisas”, objetos de consumo nas sombras da concepção mecanicista, tão alardeada por René Descartes que hoje, certamente, receberia inúmeras críticas, se estivesse vivo e entre nós.

Não é a capacidade de discernir, multiplicar, somar, dividir, entender e desenvolver equações matemáticas, filosofar que nos tornará melhores. O que está acima desses conceitos é o amor ao próximo, a bondade e o respeito às criaturas existentes no planeta em que vivemos.

Todo ser senciente merece ser feliz – nós e os animais. Basta de atraso e conceito mecanicista. O amor é incompatível com o estofo materialista e a neurociência já demonstrou que os animais sentem como todos nós, conforme eu já explicara reiteradas vezes em palestras educativas e em espaços jornalísticos, onde sou colunista.

*Gilberto Pinheiro é jornalista, palestrante em escolas, universidades, destacando a senciência e direitos dos animais. Contato: gilberto_pinheiro@yahoo.com.br.

*Fonte: material enviado por Gilberto Pinheiro

*Imagem: divulgação

*Obs.: este artigo é de responsabilidade do autor.

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