Queimadas aumentam mais de 80% em relação a 2018 e afetam bem-estar de todos

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As queimadas aumentaram mais de 80% em relação ao mesmo período de 2018, de acordo com dados do Programa Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – Inpe (consulte mais aqui).

Nas últimas semanas, foram registrados diversos focos de incêndio em várias regiões do Brasil: Acre, Rondônia, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, incluindo a tríplice fronteira entre Brasil, Bolívia e Paraguai. Há dias, áreas da Amazônia e do Pantanal estão em chamas, colocando em risco a vida de animais, destruindo as florestas e prejudicando o bem-estar de muitas pessoas.

Segundo o levantamento do Inpe, o país teve 66,9 mil pontos de queimadas, em comparação com o mesmo período do ano anterior. Conforme o instituto, é o maior índice registrado em sete anos (saiba mais aqui).

Na última segunda-feira (19), os resquícios das queimadas se tornaram visíveis em regiões que não costumam ter visibilidade, de forma tangível, os efeitos desse tipo de devastação. No estado de São Paulo, por exemplo, o céu escureceu por volta das 15h, em decorrência, além da massa de ar frio que afetou o local, da fuligem gerada pelos incêndios florestais (veja mais aqui).

Uma equipe de pesquisadores da Universidade São Paulo – USP constatou a presença de uma substância tóxica, característica de matéria orgânica de origem vegetal queimada, ao analisarem a água da chuva que caiu na última segunda, em São Paulo (leia mais aqui).

Até mesmo a Agência Espacial Norte-Americana – Nasa verificou que as queimadas dos últimos dias já podem ser vistas do espaço (saiba mais aqui). Segundo a própria organização, o número de incêndios pode ser recorde.

O que provoca as queimadas

É comum nos meses em que o clima é mais seco, como julho, agosto e setembro, ocorrer a propagação de queimadas. Porém, especialistas alegam que a ação humana foi fundamental para esse aumento registrado nos últimos dias.

De acordo com a diretora de ciência do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia – Ipam, Ane Alencar, o recorde de queimadas atual só pode ser explicado pelo desmatamento, porque não houve evento climático que justificasse esses incêndios. “Neste ano não temos uma seca extrema, como foi 2015 e 2016. Em 2017 e 2018 tivemos um período chuvoso suficiente. Em 2019, não temos eventos climáticos que afetam as secas, como o El Niño, ou eles não estão acontecendo [de maneira]forte. Não tem como o clima explicar esse aumento”, explica (veja mais aqui).

Segundo o gerente do Programa Amazônia do WWF Brasil, Ricardo Mello, não há um processo natural que gera as queimadas, como o calor, por exemplo. “Todo fogo é de alguma forma iniciado pelo ser humano. Então, esse aumento é diretamente causado pela ação do homem”, argumenta (saiba mais aqui).

Conforme Ricardo Mello, os incêndios ocorrem devido a uma técnica utilizada por pecuaristas. A queima é o processo final de conversão da área florestal para a pecuária. Eles desmatam a área que será usada, depois ateiam fogo, gerando as queimadas (entenda mais aqui).

Queimadas: Dia do Fogo

O aumento registrado nos últimos dias pode ter sido resultado, ainda, do “Dia do Fogo”, no Pará. O ato, que foi marcado para o dia 10 de agosto, segundo testemunhas, consistiu na coordenação, em conjunto, de produtores rurais, que queimaram pastos e áreas em processo de desmate.

De acordo com um dos líderes do movimento, a ação foi realizada como uma forma de mostrar ao presidente Jair Bolsonaro que eles querem trabalhar (leia mais aqui).

Após a data, o Inpe registrou, de fato, um aumento no número de queimadas na região. O Ministério Público Estadual investiga o caso.

Queimadas afetam o bem-estar de todos

O aumento dos focos de incêndio está provocando danos à saúde de várias pessoas. Há registros de crianças internadas por crises de asma estimuladas pela fumaça dos últimos dias (veja mais aqui).

De acordo com o diretor-adjunto do Hospital Infantil Cosme e Danião, Daniel Pires de Carvalho, foram realizados 120 atendimentos de crianças com problemas respiratórios de 1 a 10 de agosto e 380, entre os dias 11 e 20. O centro hospitalar atende todo o estado de Rondônia, um dos locais mais atingidos pelas queimadas.

A inalação da fumaça proveniente de incêndios florestais gera diversos problemas de saúde. Conforme Daniel Pires de Carvalho, as pessoas podem sentir complicações mais leves, como: dor e ardência na garganta, tosse seca, cansaço, falta de ar, dores de cabeça, lacrimejamento, vermelhidão nos olhos, entre outros. Mas, elas podem agravar doenças prévias, como rinite, asma, bronquite etc (saiba mais aqui).

Segundo o pneumologista Marcos Abdo Arbex, as queimadas desencadeiam, ainda, doenças cardiovasculares, insuficiência respiratória, pneumonia, entre outras complicações mais sérias. “Além disso, provocam quadros de alergia e, quando a exposição é permanente, há o risco de desenvolvimento de câncer”, alerta (confira mais aqui).

Os animais também são afetados diretamente pelas queimadas. Muitos são atingidos pelo fogo, adquirindo feridas e, até mesmo, sendo mortos. Diversos perdem seu habitat natural e ficam desamparados.

Em um incêndio ocorrido no fim de julho, em Mato Grosso, um tatu foi socorrido pelo bombeiro Eraldo Moura. O capitão viu o animal e ofereceu água a ele, que prontamente aceitou.

De acordo com o bombeiro, esse tipo de devastação prejudica a vida dos animais, podendo levá-los à morte. “A forma do tatu se esconder é se enfiar na terra. Dependendo do incêndio, ele acaba morrendo. Encontramos pássaros queimados e outros animais que não conseguiram fugir”, informa o bombeiro (veja mais aqui).

Queimadas chamam a atenção da mídia internacional e de ativistas

Em decorrência do aumento das queimadas nos últimos dias e, da constatação que a fuligem proveniente dos focos de incêndio está chegando em diversos locais do Brasil, internautas subiram, no Twitter, a hashtag #PrayforAmazonia. O tópico chegou a ser um dos assuntos mais comentados mundialmente (saiba mais aqui).

Os incêndios florestais estão ganhando repercussão internacional. A CNN espanhola noticiou que “A Amazônia queima de forma recorde” (leia aqui).

O jornal americano The Washigton Post informou sobre o ocorrido no céu de São Paulo e relacionou o episódio com as queimadas (veja aqui).

Muitos ativistas ligados à causa ambiental e animal se manifestaram nas redes sociais, como a Luisa Mell. Ela chamou a atenção dos seus seguidores sobre o que está acontecendo na Amazônia e criticou o Governo Federal, em resposta às declarações do Presidente Jair Bolsonaro.

“Senhor presidente da república, respeite o povo brasileiro. Assuma sua responsabilidade! Não nos trate como idiotas. Sim, época de seca na Amazônia, mas as causas naturais não são suficientes para explicar a magnitude dos incêndios neste ano. É um crime contra toda a humanidade o que acontece neste momento. O senhor pode dizer que os números mentem, pode tentar acusar os cientistas de estarem contra o senhor. Pode tentar jogar a culpa nas ONGs. Mas, a verdade se impõe”, declara (confira o post na íntegra aqui).

“Em maio, além de praticamente zerar o orçamento para implementar políticas sobre mudanças climáticas no Brasil, o governo federal bloqueou 38,4% do orçamento para prevenção e controle de incêndios florestais, montante equivalente a R$ 17,5 milhões”, acrescenta a ativista.

Queimadas: cortes de verbas

O Ministério do Meio Ambiente bloqueou, em maio de 2019, mais de 90% das verbas destinadas a programas de mudanças climáticas (saiba mais aqui).

Além disso, a Alemanha e a Noruega anunciaram o congelamento de repasses para o Fundo Amazônia, programa de reserva de capital estrangeiro coordenada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES, que destina verbas para ações de preservação ambiental e combate ao desmatamento (leia mais aqui).

Há um abaixo-assinado na internet para que órgãos públicos se mobilizem para acabar com as queimadas na região amazônica. Clique aqui para assinar.

*Fontes: UOL; Folha de S. Paulo; El País; BBC; G1; Inpe; O Globo

*Imagem: divulgação/Greenpeace

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