Pesquisa mostra que 47% dos norte-americanos concordam com o fim dos matadouros

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Ainda que menos da metade dos entrevistados norte-americanos concordem com o fim dos matadouros, a maioria das pessoas que respondeu a enquete diz não aprovar as fazendas produtoras de carne.

*Por Maria Chiorando

Uma nova pesquisa mostra que quase metade dos americanos concorda que os matadouros devem ser banidos.

O estudo, que foi conduzido pelo instituto sem fins lucrativos Sentience Institute [SI] em colaboração com o Grupo Ipsos, analisou as atitudes em relação à criação de animais e alimentos livres de animais. Mais de mil pessoas dos EUA foram questionadas.

Reforma

Os resultados da pesquisa sugerem que os americanos são amplamente favoráveis às grandes mudanças na política agrícola – pelo menos em teoria. Dos entrevistados, junto com os 47% dos americanos que apoiam a proibição dos matadouros, 49% concordaram com a afirmação: “Apoio a proibição da produção de animais”.

Além disso, 33% apoiam a proibição de toda a criação de animais, 70% têm algum desconforto com a forma como os animais são utilizados na indústria de alimentos e 69% pensam que a produção agrícola de animais é uma das questões sociais mais importantes do mundo hoje.

“Surpreendentes”

O diretor de pesquisa do Sentience Institute, Jacy Reese, chamou os resultados de “surpreendentes”. Ele acrescentou: “O apoio público que vemos para essas propostas é notável. Menos de 10% da população é vegetariana, mas você pode comer perus para o Dia de Ação de Graças e ainda querer que a sociedade como um todo se afaste da agricultura animal”.

“Isso está de acordo com o resultado de que uma esmagadora pesquisa onde 97% das pessoas veem o vegetarianismo como uma escolha pessoal, apesar de muitos deles apoiar a mudança de política”.

O SI observou que, embora esses resultados sejam promissores, é importante levar em consideração o viés de desequilíbrio social neste tipo de pesquisa.

Produção “Humanitária”

Três quartos dos entrevistados (75%) dizem que geralmente compram produtos de animais tratados de forma mais humanizada, longe das grandes empresas.

De acordo com SI, isso parece contrariar os dados do censo do governo, sugerindo que menos de 1% dos animais de criação vivem em fazendas não industriais.
Ao discutir essa contrariedade, Reese disse: “Isso sugere um efeito de refúgio psicológico, onde justificamos o consumo de nossos produtos animais assumindo incorretamente que comemos alimentos produzidos eticamente”.

“Isso nos permite continuar vivendo na incoerência de cuidar de animais enquanto ainda comemos alimentos de fazendas industriais”.

Falta de informação

Reese acrescentou: “Também poderia haver uma falta de informação sobre os fatos da agricultura animal americana. Embora existam dúzias de investigações secretas de fazendas e matadouros nas últimas duas décadas, as pessoas podem ignorar esse fato considerando apenas como uma “maçã ruim”.

“O público necessita de informações precisas e abrangentes sobre a prevalência de crueldade na agricultura animal. As pessoas também não sabem que mais de 95% dos animais de criação são galinhas e peixes, e essas populações são mais propensas a serem criadas de forma intensiva do que porcos e vacas”.

“Frangos e peixes são muito pequenos em comparação a porcos e vacas, o que significa que há muito mais deles”.

Ponto de inflexão

A organização planeja realizar esta pesquisa de ano em ano, a fim de explorar como as atitudes dos EUA estão mudando, “especialmente devido ao crescimento do setor de alimentos à base de plantas e ao trabalho científico que está sendo feito para criar produtos de animais reais de células e proteínas animais, sem abate de animais. A carne limpa pode ser o ponto de inflexão que irá mudar o sistema alimentar dos EUA de acordo com os valores públicos”.

Mais da metade de todos os entrevistados (54%) disseram que “estão atualmente tentando consumir menos alimentos baseados em animais (carne, produtos lácteos e/ou ovos) e mais alimentos à base de plantas (frutas, grãos, feijão e/ou legumes)”.
Esta é uma das estatísticas que os pesquisadores esperam aumentar nos próximos anos.

Reese concluiu: “Nossa visão geral era que as pessoas apoiassem mudanças importantes na política alimentar, apesar de não fazer mudanças semelhantes em suas próprias dietas e de não perceberem grandes equívocos sobre como os animais de criação são tratados”.

“Isso sugere que podemos ver grandes mudanças em nosso sistema alimentar nos próximos anos, enquanto os ativistas pressionam por mudanças de políticas e os cientistas criam novas tecnologias”.

*Maria Chiorando é jornalista e ex-editora de revista. Ela se especializou em escrever conteúdo para a área de dieta baseada em plantas por vários anos, além de informar sobre agricultura, política e notícias regionais. Você pode segui-la no Twitter @MariaChiorando e no Instagram @mariachiorando.

*Fonte: Plant Based News

*Imagem: WeAnimals



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