Produtores de óleo de palma estão eliminando orangotangos – apesar das promessas das multinacionais

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O desmatamento causado por produtores de óleo de palma está provocando a extinção de muitas espécies de orangotango. O elemento é utilizado na composição de diversas mercadorias vendidas em larga escala. Apesar do compromisso que multinacionais firmaram para deixar de usar o material, muitas estão descumprindo o acordo. Desta forma, milhares de animais estão morrendo com a destruição de seu habitat.

*Por Chris Packham para o The Guardian

Poucos que assistiram ao documentário Red Ape: Salvando o orangotango, na BBC2, deixaram de sentir algum senso de responsabilidade pela situação enfrentada pelos orangotangos da Indonésia.

Essas criaturas extraordinárias são nossos parentes mais próximos, compartilhando 97% do nosso DNA. Sua semelhança conosco é surpreendente. Eles são inteligentes, inquisitivos, sorriem e demonstram empatia. Até riem nos momentos que recebem cócegas, como nós, quando a maioria dos outros animais apenas sente o gesto como um reflexo. Encontrar orangotangos na natureza não se compara a nada que eu tenha experimentado.

Eles prosperaram nas exuberantes florestas tropicais da Indonésia. Mas, nos últimos 50 anos, saíram de suas casas forçadamente e foram mortos. Somente nos últimos 16 anos, 100.000 orangotangos de Bornéu faleceram. As três espécies deles (Bornean, Sumatra e Tapanuli, descoberta no ano passado) estão na lista de animais em extinção.

Óleo de palma: ganância pelo produto está matando orangotangos

O motivo? Tudo começou na década de 1960, quando as florestas foram devastadas por sua madeira, mas agora é pelo óleo de palma. A demanda global pela substância aumentou seis vezes desde 1990. Está inserido na metade dos produtos disponíveis nas prateleiras dos supermercados e, para evitá-los completamente, seria complicado.

Embora o óleo de palma nos alimentos não possa mais ser descrito simplesmente como óleo vegetal e deva ser rotulado (graças a uma diretriz da UE em 2014), não existe tal lei para produtos como sabão, xampu e outros cosméticos.

A decisão de um supermercado islandês de retirar o óleo de palma de todos os seus produtos próprios, foi uma resposta à falha catastrófica do setor de óleo de palma para deter o desmatamento e lidar com o problema.

Até mesmo a Mesa Redonda sobre o Óleo de Palma Sustentável (RSPO), órgão encarregado de garantir que as empresas registradas comercializem apenas com petróleo que não vem do desmatamento, está fracassando de forma espetacular.

Em maio, o Greenpeace expôs a enorme destruição da floresta tropical em Papua, supostamente causada por empresas de óleo de palma que são subsidiárias de um membro atual da RSPO.

Seus clientes eram grandes multinacionais, incluindo Unilever, Nestlé, Pepsico e Mars. As empresas envolvidas responderam dizendo que estão levando as alegações do Greenpeace a sério e tomando as medidas apropriadas. Mas, se as afirmações do Greenpeace estiverem corretas, nenhuma companhia pode alegar que o óleo de palma usado é 100% “sustentável”.

Red Ape revela o trabalho notável que os funcionários da International Animal Rescue estão fazendo no terreno para salvar esses animais. Neste estágio crucial de sua existência, toda vida socorrida é vital para sua sobrevivência.

Empresas devem assumir a responsabilidade

Mas, se quisermos salvar os orangotangos a longo prazo, como diz John Sauven, diretor executivo do Greenpeace do Reino Unido, no programa, devemos salvar sua casa: a floresta tropical. Você pode assinar a petição do Greenpeace UK (clique aqui) para apoiar esta missão.

Os orangotangos passam 95% de suas vidas nas árvores, mas neste momento, as florestas da Indonésia estão desaparecendo à taxa de um campo de futebol a cada 25 segundos.

Na ausência de reforma da indústria, as multinacionais devem assumir a responsabilidade. Na verdade, em 2010 eles prometeram assumi-la. Então, membros do Consumer Goods Forum prometeram que até 2020 eles não comprariam mais óleo de palma de qualquer empresa que estivesse diminuindo a floresta tropical.

Mas, eles fizeram alguma coisa sobre isso? Não muito, parece. De fato, em janeiro deste ano, quando o Greenpeace pediu a 16 empresas para publicarem quais comerciantes de óleo de palma estavam comprando, muitos recusaram – embora não os listados acima.

Com a continuação do desmatamento da floresta tropical e o governo indonésio apresentando um aumento projetado na produção de óleo de palma de 36,5 milhões de toneladas em 2017 para mais de 42 milhões de toneladas até 2020, a situação é realmente terrível.

O mundo inteiro sofre com o desmatamento

Não são apenas os orangotangos que estão ameaçados. Mais de 69% do habitat de elefantes de Sumatra foi destruído em uma geração. E há menos de 100 rinocerontes dessa região na natureza. As pessoas fazem parte desse conflito também. A apropriação e exploração de terras por trabalhadores, incluindo o uso de trabalho infantil, é endêmica.

Décadas de desmatamento devido ao óleo de palma criaram condições ideais para incêndios de florestas e turfeiras – um tipo de solo, feito de turfa, que é uma espécie de tecido feito de várias plantas, como musgos. Esses acidentes, muitas vezes iniciados por empresas que limpam a terra, ameaçam a saúde das pessoas no sudeste da Ásia e impulsionam as mudanças climáticas.

De fato, se nada for feito, eventualmente todos pagaremos o preço, já que a mudança no uso da terra, principalmente do desmatamento tropical, responde por 12% das emissões globais de carbono. Manter essas florestas intactas é realmente vital para toda a vida na Terra.

Não pode haver mais atrasos até a próxima década. O ano de 2020 está a menos de dois anos e o ônus da responsabilidade está firmemente com as multinacionais. O óleo de palma pode ser produzido sem destruir florestas tropicais, mas somente se grandes empresas o apoiarem. Eu não vou deixá-los esquecerem a promessa de desmatamento zero. Você vai?

*Fonte: The Guardian

*Imagem: divulgação



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