O que é especismo?

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Você já ouviu falar em especismo? Quando alguém se comove por um determinado animal, mas não se importa com o sofrimento de outro, está sendo especista. O conceito é abordado por diversos especialistas, como o filósofo Peter Singer, por exemplo. Entenda a seguir os motivos desta postura ser antiética em relação aos seres sencientes.

*Por Ingrid E. Newkirk para a PETA

Alguma vez você já se perguntou como alguém pode ser levado às lágrimas por uma notícia sobre um cão abusado, mas não sente remorso por comer um balde de asas de galinha que causou a morte de várias aves? A resposta é: especismo.

Como o especismo está arraigado na sociedade

O especismo é uma crença equivocada de que uma espécie é mais importante que outra. Essa mentalidade tóxica está profundamente arraigada em nossa sociedade e resulta em todos os tipos de consequências negativas.

Desde jovens, a maioria dos seres humanos é condicionada a ver certas espécies como dignas de cuidado e compaixão e outras como indignas. Tudo isso baseado em preferências humanas arbitrárias. Intencionalmente ou não, pais, professores, mídia e outras influências enviam às crianças a mensagem de que filhotes e gatinhos são “amigos”, vacas e galinhas são “comida”, e ratos e camundongos são “pragas”. Os desejos, necessidades e interesses humanos sempre superam os de qualquer outra espécie.

Como resultado, aprendemos a ignorar nossa própria consciência, que nos diz que é errado maltratar os outros. Nós nos convencemos de que temos o “direito” de aprisionar animais em laboratórios, experimentá-los e matá-los, porque isso pode ajudar os seres humanos. Dizemos a nós mesmos que não há problema em comer sorvete feito com leite de vaca, porque nosso desejo por sobremesa supera o direito de uma mãe cuidar de seu filhote.

Que não há problema em roubar lã de ovelha para suéteres, penas de pato para travesseiros. Que manter as orcas em tanques para obter lucro e “entretenimento” é aceitável e que o “prazer” que recebemos de lançar um anzol na água para pegar peixe é mais importante do que a dor infligida a eles quando são perfurados através do lábio e puxados para um ambiente no qual eles não podem respirar. Os humanos usam o especismo para tentar justificar todo tipo de crueldade imaginável.

Definição de especismo por Peter Singer

Em seu livro inovador Libertação Animal, o filósofo Peter Singer define o especismo como “um preconceito ou atitude em favor dos interesses dos membros da própria espécie e contra os membros de outras espécies”. Mas também é especista tratar a vida de um animal como mais valiosa que a de outro.

Um exemplo particularmente perturbador disso é quando abrigos de animais realizam captação de recursos para ajudar cães e gatos, servindo em eventos carne de vacas, porcos ou galinhas. Isso faz tanto sentido quanto atropelar uma turma de crianças no seu caminho para o voluntariado em um centro de idosos.

O precisamos fazer para o especismo deixar de existir

Todos os animais merecem consideração igual, independentemente da opinião dos humanos sobre eles. Embora a maioria de nós tenha sido mergulhada no especismo ao longo de nossas vidas, podemos – e devemos – superar esse modo destrutivo de pensar.

Podemos começar agora, mudando a forma como falamos sobre outras espécies. Os animais sentem. Portanto, não devemos nos referir a eles da mesma maneira que nos referimos a objetos inanimados, como velhas cadeiras ou botas.

Rejeitar o especismo também significa dar uma olhada objetiva nas nossas escolhas pessoais e mudar as que prejudicam os animais. Um dos melhores lugares para começar é expressando nossa desaprovação de testes em animais, comprando apenas produtos que não são testados em animais e doando apenas para instituições de caridade que nunca financiam ou realizam experimentos com animais.

Deixar os alimentos derivados de animais fora dos nossos pratos, nos tornando veganos, também é fundamental. Quando começamos a ver outras espécies como seres vivos e indivíduos, não vamos querer explorá-las. Devemos escolher roupas livres de ingredientes de origem animal, bem como não ir a circos ou zoológicos.

É hora de reconhecer que todos os seres sencientes merecem ser tratados com respeito e compaixão. Devemos rejeitar o especismo e agir com integridade e coerência em relação a todos os seres vivos. O primeiro passo é reconhecer que todo animal tem o direito de viver e ser livre da exploração humana.

Ingrid E. Newkirk é ativista dos direitos dos animais e atual presidente da PETA

*Fonte: PETA

*Imagem: The Save Movement



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