Por que eu penso que a moda vegana é sempre a opção mais sustentável

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A moda vegana é extremamente importante para o ser humano, os animais e o meio ambiente. O artigo a seguir mostra como os materiais mais usados na moda convencional são prejudiciais à vida. Também são expostos os motivos para deixar de usá-los no dia a dia.

Ao optar pela moda vegana você estará contribuindo para a preservação do nosso planeta e ajudando no bem-estar dos animais.

*Por Christina Sewell

Com o passar do tempo, tem crescido o interesse dos consumidores pelo impacto que a moda causa nas vidas das pessoas. O alto custo embutido em roupas de valor baixo – como trabalhadores envenenados por produtos químicos tóxicos e aterros repletos de roupas descartadas – coloca “ética” e “sustentável” como palavras-chave na indústria da moda. No entanto, se uma jaqueta ou um par de sapatos não forem veganos, usar estes termos não corresponde aos fatos.

Isso porque couro, pele, lã, caxemira e outros materiais derivados de animais poluem o planeta, põem em perigo a vida de milhares de trabalhadores e fazem com que os animais sofram de forma desnecessária.

O relatório Pulse of the Fashion Industry apresentado ano passado pela Global Fashion Agenda e pelo The Boston Consulting Group revelou que 3 dos 4 materiais mais prejudiciais para o meio ambiente são derivados de animais.

Couro: uma vez que o couro é um coproduto rentável (não um subproduto, como dizem) da insustentável indústria da carne, não é surpreendente que este seja o pior infrator. Matar animais por causa da carne e da pele desperdiça inúmeros recursos e causa imensa destruição.

Leve em consideração a quantidade de terras envolvidas na produção pecuária. Além da energia necessária para operar fazendas industriais, confinamentos, matadouros e caminhões que transportam animais. Há ainda a água desperdiçada e as plantações usadas para alimentar os animais criados para serem mortos. Estes cultivos poderiam servir como alimento para pessoas com fome e malnutridas.

Os bilhões de animais mortos pela indústria da carne, todos os anos, também produzem uma quantidade enorme de resíduos. Somente nos EUA, os animais criados em fazendas produzem 130 vezes mais excrementos que a população humana.

Este material não tratado é insalubre. Ao ser adicionado produtos químicos, os dejetos são deixados para se decomporem em lagos ou jogado sobre campos de cultivo. Muitas vezes o resultado é a contaminação do solo e das vias navegáveis mais próximas.

Alterações climáticas: ainda há o problema dos efeitos do couro nas alterações climáticas. De acordo com o Instituto Worldwatch, a agricultura animal é responsável por pelo menos 51% das emissões globais de gases do efeito estufa.

Vale salientar que o maior impacto ambiental associado ao couro ocorre antes que as peles sejam enviadas aos curtumes. Nos chamados métodos de “processamento verde”, as peças ficam livres do cromo.

Como comparação, o couro de poliuretano tem menos da metade do impacto sobre o meio ambiente do que o couro derivado de animais, ou seja, o couro que vem de animais é mais prejudicial do que o dobro do poliuretano: um plástico!

Lã: ainda de acordo com o mesmo relatório, a lã é o quarto pior material em termos de danos ambientais. A lã, assim como outros materiais derivados de animais, consome recursos preciosos.

A terra foi retirada e as árvores cortadas para abrir espaço para o pastoreio das ovelhas. Estes procedimentos levaram ao aumento da salinidade do solo, a erosão e a diminuição da biodiversidade.

Na primeira metade do século 20, a Patagônia, na Argentina, ficava em 2º lugar na produção de lã mundial, perdendo apenas para a Austrália. No entanto, o aumento da produção fez com que as terras não suportassem a demanda. Houve um processo de deterioração do solo e a consequente desertificação da área.

Caxemira: o impacto ambiental da produção de caxemira tem alcance global. As cabras têm um apetite voraz e comem tudo até a raiz das plantas, impedindo que elas cresçam novamente. Um exemplo está na Mongólia. O número de cabras de caxemira cresceu e atualmente representam 60% do rebanho do país. Dessa forma, as pastagens que foram verdes acabaram sendo engolidas pela areia. As tempestades de areia desencadeadas por este fenômeno chegaram a impactar na América do Norte.

Pele: estudo recente mostra que é até 10 vezes mais prejudicial ao meio ambiente produzir uma peça de roupa feita de pele de animal do que a confecção de uma peça com pele falsa. Além do mais, os produtos químicos usados para evitar que a carne animal apodreça depois de ter sido transformada em casaco são altamente tóxicos e cancerígenos.

A pele somente é “natural” quando está no animal que nasceu com ela. Uma vez que os animais foram abatidos e esfolados, sua pele é tratada com diversas substâncias químicas. A ideia é que seja mantida como um material durável, isso significa, mantê-la apodrecida.

Produtos tóxicos: outro fator que deve ser considerado são os produtos tóxicos necessários para evitar a deterioração dos materiais derivados de animais. A filial do PETA na Alemanha investigou a indústria do couro em Bangladesh. Os trabalhadores de curtumes, incluindo crianças, desempenhavam tarefas perigosas, como a remoção de peles com produtos químicos.

Os trabalhadores desprotegidos atuavam descalços e em contato com produtos cancerígenos. Além de usar ácidos que causavam doenças crônicas na pele. Cerca de 90% destes trabalhadores morrerão antes dos 50 anos de idade.

Como a moda vegana pode ajudar a salvar o planeta

Os fatores apresentados acima mostram a importância da moda vegana no nosso cotidiano. A escolha de marcas comprometidas efetivamente com o bem-estar animal e o meio ambiente são fundamentais para acabarmos com as desigualdades apresentadas neste artigo.

Se você ainda não conhece os tipos de tecidos veganos existentes, veja a matéria que o Mimi Veg fez sobre o assunto. Que tal colocar a moda vegana como prioridade na sua vida a partir de agora?

*Fonte: PETA

*Imagem: divulgação



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