Microplásticos, macro impactos

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Os microplásticos estão destruindo a vida de animais e do meio ambiente. Pequenos e quase imperceptíveis, esses materiais têm, inclusive, a capacidade de ingressar no corpo humano e alterar hormônios, causando complicações graves. Confira a seguir mais detalhes sobre estes plásticos e veja como evitá-los.

*Por Priscilla Saldanha

Microplásticos são pedaços extremamente pequenos de plásticos, de 3 a 5 milímetros de comprimento. Aquela ideia de que o plástico se degrada depois de um tempo, mesmo que seja em 400-500 anos, já está sendo abolida, pois ele nunca vai embora do meio ambiente.

Em vez disso, com o tempo, ele fica frágil e se fragmenta em pedacinhos cada vez menores, até que seja tão pequeno que a gente não consegue mais ver.

De uma embalagem para cobrir nossas frutas, vira pedaços imperceptíveis que vão para nossa água, mares e oceanos.

Alguns plásticos nascem microplásticos e outros se tornam microplásticos. Sabia que o glitter é feito de plástico? E que existem vários cosméticos que contêm plástico na sua composição? Esses já ”nascem” micro e invadem a nossa cadeia alimentar e de consumo no geral.

Microplásticos: estudo indica que o material pode entrar no corpo humano

Um estudo do médico Philipp Schwabl da Universidade de Medicina de Viena, na Áustria, confirmou e divulgou que o plástico chega ao intestino humano (confira mais aqui). A pesquisa foi realizada com base nas coletas de fezes de 8 pessoas, de diferentes países europeus e asiáticos.

Em todas as amostras, foram identificados microplásticos, de até nove tipos diferentes nessas fezes. Imagina aqui no Brasil, onde a gente tem uma política e ações ainda menores em relação a nossa coleta de resíduos e sobre o uso de plásticos para embalagens?

Microplásticos: como afetam pessoas e animais

O plástico é um disruptor endócrino conhecido, muitas vezes disfarçado de estrogênio no corpo. Ele interfere no sistema de comunicação de hormônios/corpos, podendo causar obesidade, câncer e até infertilidade.

Além dessa interferência hormonal, ele é proveniente do petróleo, que é combustível fóssil e não renovável. Estamos tirando do planeta e não temos como devolver esse recurso.

Os animais marinhos são bastante impactados também. Quando chegam nos oceanos, são confundidos com comida. Após serem ingeridos, causam doenças e até mortes a essas espécies.

Pesquisadores britânicos descobriram essas micropartículas no intestino de animais que habitam algumas das regiões oceânicas mais profundas da Terra, mostrando que a poluição humana não está limitada à superfície dos mares. Ela já chegou nos locais mais inacessíveis do planeta.

As aves marinhas também estão sendo afetadas. Já foram encontradas mortas com os estômagos cheios de tampas de garrafas, canudinhos e pedaços de sacolinhas plásticas.

Microplásticos: o que se pode fazer para evitar?

O que fazer, então? Sempre falamos sobre repensar o consumo. Usarmos o nosso poder de pensar e refletir para entender se tudo que usamos hoje é realmente necessário.

Além disso, o descarte correto também ajuda a evitar que esse plástico não chegue aos oceanos e afete nossas águas e seres marinhos.

Nós, consumidores, ainda sabemos muito pouco sobre os efeitos desse mal. O que podemos fazer, hoje, é usar o nosso poder de escolher para optar consumir produtos que não venham com embalagens plásticas, por exemplo.

Outra mudança que está em nosso alcance são as roupas sintéticas, que na lavagem expelem muito microplásticos. Optar por roupas de algodão orgânico e tecidos naturais é uma ótima alternativa.

Usar suas roupas mais vezes, sem lavar, parece uma ação simples, mas diminui o contato delas com a água e a liberação das partículas poluentes.

E, que tal buscar por cosméticos mais naturais também? Será ótimo para a sua saúde e evita, mais uma vez, o contato dessas micropartículas com as nossas águas. Não precisamos de glitter, já somos muito brilhantes!

Priscilla Saldanha é permacultora, educadora, comunicadora e ativista ambiental.

*Fonte: Consciência Peregrina

*Imagem: divulgação

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