12 dicas para introdução alimentar do bebê

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A fase da introdução alimentar do bebê pode parecer complicada para muitos pais e mães. Para incluir alimentos saudáveis na dieta deles e acostumá-los com o sabor de frutas e vegetais, é preciso seguir algumas orientações. A nutricionista Tatiana Magri dá 12 dicas de como passar por esse processo de uma maneira mais tranquila.

*Por Tatiana Magri

A introdução de alimentos para o bebê é uma fase que gera muitas dúvidas e dificuldades nos pais e pessoas responsáveis por alimentar os bebês. É um momento de aprendizado não só para o bebê, que está descobrindo um mundo totalmente novo, com cores, sabores e texturas que ele nunca tinha entrado em contato, mas também para quem prepara e oferece os alimentos. Então, para ajudar a tornar essa fase mais tranquila para todos, eu trouxe algumas dicas para introdução alimentar.

1) Introdução alimentar do bebê: consuma mais frutas, legumes, verduras, sementes e cereais integrais ainda na gestação

Já se sabe que o paladar da criança começa a ser formado ainda dentro do útero durante a gestação. Nesse período, o bebê fica envolvido pelo líquido amniótico que ele engole várias vezes ao longo da gestação. O gosto dessa substância pode ser influenciado pelos alimentos que a mãe consome na gravidez. Assim, o bebê consegue sentir sabores doces, salgados e amargos ao engolir esse líquido, o que faz com que ele comece a formar o seu paladar.

Isso significa que, a alimentação da mãe ainda durante a gestação é capaz de refletir no sabor que o bebê sente através do líquido amniótico. Por isso, é muito importante ter uma alimentação variada e saudável desde a gestação.

Sabendo que é importante que as crianças consumam frutas, legumes, verduras, cereais integrais e feijões por exemplo, se você está grávida, procure incluir esses alimentos na sua rotina, e reduza o consumo de alimentos industrializados e aqueles ricos em açúcares e gorduras.

Assim, será mais fácil para a criança se sentir mais familiarizada com o gosto dos alimentos mais naturais ao iniciar a alimentação complementar, sendo a aceitação deles bem melhor. Essa é uma das dicas para introdução alimentar menos conhecida, mas que faz a diferença na hora de iniciar a introdução de alimentos para o bebê.

2) Introdução alimentar do bebê: durante a amamentação exclusiva continue tendo uma alimentação saudável e variada

O paladar da criança continua a se formar durante a amamentação exclusiva, que ocorre até os 6 meses de vida. O gosto do leite materno também sofre influência dos alimentos que a mãe consome e a criança consegue identificá-los.

Assim, se você consumir uma variedade de frutas e legumes e incluir na sua alimentação diária alimentos como cereais integrais, por exemplo, ficará mais fácil do seu bebê identificar esses sabores ao iniciar a introdução alimentar.

3) Introdução alimentar do bebê: comece aos poucos. Ofereça um alimento de cada grupo por vez

A introdução de alimentos para o bebê deve ser variada e conter 1 alimento de cada grupo alimentar por refeição. Isso significa que, ao oferecer fruta para criança, escolha uma e varie as frutas a cada dia. O mesmo deve ser feito para os legumes. Ao iniciar a refeição salgada (almoço) escolha um legume por dia e ofereça ao seu bebê. Assim, fica mais simples para ele sentir o sabor separadamente de cada alimento e aceitá-los.

4) Introdução alimentar do bebê: sujeira faz parte! Deixe o seu bebê pegar os alimentos com a mão e leva-los à boca

Aos seis meses a criança já se encontra na fase de descobrir os objetos a sua volta através do tato e da boca. E, por isso, ela leva tudo para a região bucal. Aproveite os momentos das refeições para deixar seu bebê descobrir os alimentos, tocar, apertar, cheirar e até mesmo brincar com eles.

Muitos pais repreendem a criança por causa da sujeira que é feita. Mas, perceba que esse é um momento muito importante para que seu filho entre em contato com os alimentos. Você pode, inclusive, separar na mesinha do cadeirão de alimentação do bebê alguns alimentos que estão sendo oferecidos para ele na refeição.

Dessa forma, ele vai poder pegar em cada um desses alimentos e explorar. Isso ajuda muito na aceitação da alimentação. Só lembre de ter o cuidado de higienizar bem a mesinha antes de cada refeição. Para isso use um pano limpo e passe álcool.

Aos 7 meses a criança já consegue fazer movimentos de pinça com os dedos e assim pegar os alimentos e levar até a boca.

5) Introdução alimentar do bebê: evite distrair a criança durante as refeições

Na tentativa de fazer as crianças comerem, são usadas várias estratégias. A mais comum é tentar distrair a criança usando a televisão, vídeos infantis pelo celular e brinquedos. Porém, ao fazer isso, a criança perde o foco no alimento e isso faz com que ela não perceba que está se alimentando.

Por isso, evite distrair seu filho. Deixe que ele consuma a refeição no seu tempo. Você irá perceber que ele está satisfeito quando ele começar a fechar a boca, virar o rosto, chorar, se debater na cadeira etc. Isso significa que ele não quer mais comer e não é preciso forçar. Ao insistir para seu filho continuar comendo você tornará o momento ainda mais estressante tanto para você quanto para o seu bebê.

6) Introdução alimentar do bebê: bebês comem pouco mesmo

No início da introdução alimentar, os bebês comem bem pouquinho mesmo! A quantidade tolerada por eles não costuma passar de 2 a 3 colheres de sopa no total. Coloque apenas 1 colher de sopa de cada alimento.

O recomendado é usar colheres pequenas próprias para bebês. Vá oferecendo um pouquinho de cada alimento, até atingir a quantidade que seu bebê se sinta satisfeito.

7) Introdução alimentar do bebê: tenha paciência. Cada bebê tem um ritmo de alimentação diferente

O momento das refeições costuma gerar certa ansiedade e até mesmo um grau de estresse nos pais. Isso porque acaba havendo certas expectativas quanto ao tempo que a criança deve levar para se alimentar. Porém, é preciso entender que cada criança tem seu tempo, e é preciso respeitar.

Sendo assim, na introdução dos alimentos para o bebê, tenha paciência e espere a criança acabar de mastigar e engolir, para, então, oferecer novamente. Desse jeito, você permite que ela conheça melhor os alimentos e mastigue-os e, ainda, evita reações como gases e cólicas também.

8) Introdução alimentar do bebê: seja o exemplo! As crianças aprendem por imitação

Essa é uma das dicas para introdução alimentar que mais fazem a diferença. Não tem jeito, se quisermos que nossos filhos consumam frutas e legumes, precisamos consumir também, principalmente na frente deles. Ao oferecer uma fruta para seu bebê, consuma uma parte dela em sua forma natural na frente da criança. Dessa forma, o bebê irá ver você comendo e repetirá o ato naturalmente.

Da mesma forma, evite comer alimentos industrializados e preparações ricas em açúcar e gorduras como fast foods, refrigerantes, doces, sorvetes, etc., na frente do bebê e de outras crianças maiores.

9) Introdução alimentar do bebê: crie uma rotina de alimentação para o seu filho

Não há necessidade de estabelecer horários rígidos para as refeições. Mas, é importante que o bebê tenha uma rotina alimentar bem definida desde a introdução alimentar. Isso facilitará que o bebê aprenda a identificar, ainda nessa idade, suas sensações de fome e saciedade.

10) Introdução alimentar do bebê: leve o bebê para se alimentar com o restante da família nos horários das refeições

Procure incluir o bebê nas refeições da família. Para isso, se seus familiares têm horários muito desregulados, aproveite a oportunidade para mudar esses hábitos. É muito importante para a criança participar das refeições com os pais e o restante da família. Afinal, o bebê também deve participar desses momentos de união à mesa. Isso contribui muito para a adesão a um bom hábito alimentar e na aceitação dos alimentos.

Experimente, então, colocar a cadeirinha de alimentação do bebê próximo à mesa de refeição. Assim, ele poderá se alimentar enquanto o restante da família também realiza a refeição.

11) Introdução alimentar do bebê: não é necessário usar alimentos para engrossar as preparações do bebê

Deixe de lado aqueles alimentos industrializados à base de farinha e açúcar que são usados para engrossar as preparações como purês e mingaus. Esses produtos não tornam a alimentação mais nutritiva e apenas adicionam mais açúcar nas preparações. Isso leva ao ganho de peso, mas não necessariamente a uma boa saúde. Pode, ainda, modificar o sabor original da preparação.

12) Introdução alimentar do bebê: diante de uma recusa a um alimento não desista. Ofereça novamente após alguns dias

Por último, é normal a criança recusar os alimentos da primeira vez. Lembre-se que ela está descobrindo um mundo novo e os sabores podem assustar no início. Por isso, caso seu filho recuse uma fruta ou um legume, isso não quer dizer que ele não gostou.

Volte a oferecer esse mesmo alimento novamente em outro dia, e continue tentando até ele se acostumar com o sabor e a textura do alimento. Isso porque, a aceitação é uma aprendizagem e está relacionada com a repetição da oferta. Em média, são necessárias de 8 a 10 exposições a um mesmo alimento para que ele seja aceito pela criança.

Com essas dicas para introdução alimentar, ficará mais fácil lidar com esse desafio e estabelecer hábitos alimentares saudáveis no seu bebê.

Aproveite também a chegada de um bebê na sua casa para melhorar a alimentação de toda a família. E, em caso de dúvidas ou orientações específicas e individuais para a introdução alimentar, procure um nutricionista materno-infantil.

Tatiana Magri é nutricionista especializada em alimentação materno-infantil, voltada para o desenvolvimento de gestantes e crianças na fase de introdução alimentar.

*Fonte: Tatiana Magri

*Imagem: divulgação



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