Fashion de forma consciente: a nova moda

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É possível ser fashion de forma consciente, optando por roupas e acessórios que não poluem o meio ambiente nem maltratam animais. A indústria da moda fast fashion está cada vez mais perdendo espaço para alternativas éticas, veganas e sustentáveis.

*Por João Malafaia

Basta olhar as vitrines num shopping para entender que a moda é rápida. A cada mês surge uma nova tendência. A cada semana uma influenciadora digital posa com um novo modelo de bolsa.

A cada temporada, lojas se reinventam, redescobrem, lançam novidades, apostam no vintage, fazem liquidações e repaginam seu mostruário. Mas, esse modelo já não é unanimidade. Na última década, múltiplas vertentes da moda (ética, local, vegana e sustentável) começaram a surgir, visando produções diferentes da tradicional.

Fashion de forma consciente: produção em massa de roupas é o alvo a ser combatido

O inimigo a combater é a fast fashion. Esse modelo começou no início dos anos 70, junto à crise do petróleo. Com a necessidade de manter a economia estável, alguns países apostaram em novas maneiras de fazer o dinheiro rodar. Uma dessas alternativas acabou sendo a produção em massa de roupas, respondendo sempre às últimas tendências do mercado.

Porém, por se tratar de um modelo que visa o lucro, questões como a procedência e descarte de materiais, mão de obra justamente paga, impactos sociais e ambientais são muitas vezes deixados de lado.

De acordo com a Forbes, o poliéster, fibra mais utilizada na fast fashion atualmente, consome aproximadamente 70 milhões de barris de petróleo para a sua produção anual e demora mais de 200 anos para se decompor no meio ambiente.

Outra fibra artificial, a viscose, que tem como matéria prima a celulose, requer a derrubada de aproximadamente 60 milhões de árvores por ano. O algodão, por sua vez, utiliza em seu plantio 24% de todos os inseticidas usados no mundo e 11% de todos os pesticidas.

Ana Carolina Stauch, estudante de moda da Faculdade Santa Marcelina, acredita que esse é o modelo que move a moda hoje em dia, principalmente pelo consumo exagerado que ele induz. “O desejo da população é enorme e a moda tem a necessidade de produzir cada vez mais para alimentar isso”, esclarece.

Fashion de forma consciente: a moda ética

As alternativas atacam cada um desses aspectos. A moda ética, por exemplo, é caracterizada por possuir um processo de criação que não afeta negativamente nem as pessoas envolvidas na produção das roupas, nem o meio ambiente, visando ainda a transparência em todo o processo de confecção.

Aqueles que optam pela moda ética acabam por mudar suas atitudes em relação ao varejo. Isso faz com que comprem apenas o que é de extrema necessidade, além de sempre optarem por lojas que fujam do conceito de fast fashion. Esses consumidores aproveitam ao máximo os produtos que já possuem e estão sempre procurando novos usos para as peças antigas.

Fashion de forma consciente: moda local

A moda local, por sua vez, valoriza a produção autoral e da região. Esses fabricantes possuem mais cuidado na elaboração das peças, pois buscam resultados de alta qualidade. As produções costumam ser em pequena ou média escala, lidando, na maioria das vezes, com um preço mais real.

Os produtos locais carregam uma bagagem cultural que é escassa na fast fashion, devido à maior padronização das peças. Tais consumidores acabam por movimentar o setor nacional, dando mais visibilidade a roupas únicas e representativas, além de estarem em contato com novos talentos. Dar preferência pela produção local é uma maneira de resistir às influências da globalização.

Fashion de forma consciente: moda vegana

A moda vegana oferece produtos fabricados sem o envolvimento do sofrimento animal. Dessa forma, garantem que nenhum ser vivo foi explorado ou machucado durante as confecções. Deve ser levado em consideração que essa vertente evita ao máximo agressões ao meio ambiente em geral.

Aqueles que buscam seguir esse estilo de vida preocupam-se muito com as origens dos produtos. Para ter certeza de que estão gastando seu dinheiro da maneira correta, tornou-se muito comum peças de roupa que acompanham certificados ou selos de cruelty-free.

Fashion de forma consciente: moda sustentável

Por fim, e não menos importante, a moda sustentável busca causar o menor impacto possível no meio ambiente, de forma que são adotados processos de produção e metodologias que não prejudiquem o ecossistema. Ou seja, a vertente trabalha apenas com recursos e meios ecológicos.

Dentre as ações adotadas pelos produtores de peças sustentáveis, podemos citar o uso de tecidos descartados, o upycling de materiais já utilizados, produtos feitos para possuírem longo ciclo de uso, entre outros. Os consumidores da moda sustentável buscam ir contra a fast fashion de uma maneira mais ecológica.

Nesse novo mundo da moda há a possibilidade de abrir um negócio próprio. Dessa forma, possibilita novos estímulos e maneiras de movimentar a economia têxtil.

Maira Gleizer é uma das sócias da boutique Goiaba Urbana, em Pinheiros, e após ter trabalhado com grandes marcas inseridas na indústria da fast fashion, hoje defende que suas peças passem por um processo sustentável de produção.

Segundo ela, uma marca sustentável é uma marca transparente, que estimula o diálogo com o consumidor, mostrando quais são suas práticas atuais e de que maneira está trabalhando para melhorá-las. “A consciência do que estamos fazendo — dos problemas que temos e como os enfrentamos — é o mais importante, e ir melhorando aos poucos com as possibilidades”, declara.

Ela ressalta, ainda, a importância da aproximação das etapas de produção do consumidor final. A distância dentro da cadeia produtiva faz com que, muitas vezes, as marcas nem saibam que o trabalho terceirizado ou quarteirizado utilizado nas roupas que vendem foi de mão de obra escrava. Em sua boutique, Maira procura trazer todas as instâncias para perto, para que possa acompanhar todo o processo e entendê-lo. A partir deste problema social atrelado à produção irregular, se desencadeou a moda ativista, o Fashion Revolution: quem fez minhas roupas?

Fashion de forma consciente: upcycling

Da necessidade de saber quem criava as suas roupas, nasceu a iniciativa baseada no upcycling — o reuso de tecidos que iriam para o lixo — de Lua Rosa. A jovem conta que após pesquisar sobre o descarte de tecidos residuais, percebeu que precisava fazer algo. “Decidi ir atrás de algumas empresas para que elas me repassarem os tecidos de sobra das produções, para que eu pudesse reaproveitá-los e dar um destino novo para o tecido que iria ser descartado”, relata.

Moda consciente ainda tem muito caminho a percorrer para ser popular

O consumidor é muito importante no processo. Se há a demanda por transparência por parte das marcas, o processo de adaptação para este novo modelo pode ser mais rápido.

O Brasil possui um mercado consumidor muito expressivo. Mas, que não tem acesso a mercadorias de preços como os da moda alternativa. Portanto, popularizar a moda sustentável para se tornar acessível é um passo essencial.

João Malafaia é produtor de conteúdo especializado em moda e assuntos relacionados.

*Fonte: João Malafaia

*Imagem: divulgação

Obs.: o conteúdo deste artigo é de responsabilidade do autor.

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