Exportação de animais vivos: crueldade, desrespeito e ganância

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*Por Patrícia Arantes

Na última quarta-feira, 29/11, o porto de Santos-SP reiniciou uma atividade que estava paralisada há 17 anos (de acordo com o jornal A Tribuna): a exportação de animais vivos. A notícia do embarque de 27 mil bezerros, com destino à Turquia, foi recebida com muita tristeza e indignação por parte daqueles que se dedicam aos direitos dos animais.

Ontem, voltando pra casa pelo Rodoanel Mário Covas, avistei uma carreta com gado. Eu estava dirigindo e, ao ultrapassar o veículo, pude olhar os lindos olhos de alguns animais e pensei que eles não imaginavam totalmente (sim, porque eles sentem!) o destino que os aguardava. Inocentes, estavam sendo levados para os últimos momentos de suas vidas, talvez o mais brutal, não tenho certeza, pois já sofrem desde que foram concebidos artificialmente e, contra a natureza, friamente separados de suas mães, e depois forçados a outros procedimentos cruéis da indústria da carne.

Então eu chorei… Chorei por eles, pelos que estão embarcando para a Turquia, onde não há sistema de regulação para abate, conforme investigações de ativistas que trouxeram imagens e relatos chocantes (confira aqui) e pensei: o que está acontecendo com a compaixão do ser humano? O que houve com a capacidade das pessoas de se colocar no lugar do outro, um ser que, embora seja de outra espécie, sente como nós, conforme diversas pesquisas científicas já comprovaram?

Esses animais foram submetidos a uma vida sem afeto e respeito, marcados e manuseados de forma violenta, como se fossem objetos e não sentissem dor, entre diversas situações deprimentes que todos nós sabemos que acontecem… E, agora, viajaram quilômetros e quilômetros num ambiente de calor intenso até o porto de Santos, chegando lá sujos, quem sabe até machucados pela viagem, com fome, sede. Serão embarcados como máquinas, esperando até que o último animal entre e o navio siga para o destino. Depois precisam enfrentar a rota até a Turquia, de pé o tempo todo, naquele calor, amontoados, sem dignidade, com total descaso para, no fim, sofrerem todo tipo de tortura e um monstruoso abate num país sem regras menos dolorosas.

Então, ao deitar na minha cama limpa e esticar meu corpo, depois de ter feito uma bela refeição e tomado um banho quente e gostoso, me senti desconfortável (como já aconteceu em outras situações com maus tratos a animais), pensando naqueles inocentes sendo empilhados como produtos não perecíveis dentro de um navio e o que ainda os espera. E não consegui dormir. Como um ser que sente como os animais não humanos, coloco-me no lugar deles e consigo imaginar “um pouco” o que passam. Sim, “um pouco”, porque eles estão vivenciando, sentindo na pele, no corpo, na alma.

Basta trocar de lugar com o outro, em qualquer situação, pra saber se o que você está fazendo é certo ou errado, dói ou não, é bom ou mau, é justo ou injusto, é humano ou desumano.

Se o homem não mudar de atitude com os seres que sentem, principalmente os indefesos e inocentes, de qualquer espécie, ele nunca será feliz. O dinheiro é importante, mas desde que venha de um trabalho baseado em ética, construção, amor, onde todos são beneficiados… E não proveniente de dor, exploração, traição, ganância, corrupção, sofrimento, negligência, desconsiderando a vida dos outros.

Por isso, o veganismo é a solução para o fim de todas as injustiças cometidas contra os animais não humanos e que refletem nas pessoas. Ao considerá-los como seres que sentem da mesma forma que nós e têm direitos, todos são beneficiados: a fome que existe hoje no mundo deixa de existir, as pessoas terão mais saúde, a água, os rios e mares serão preservados, assim como o solo, as florestas e todo o meio ambiente, enfim, os benefícios serão imensos. E o mais importante: a ética e o respeito à vida serão nossos condutores.

Aos animais não humanos, só posso dizer que sinto muito, sei e reconheço que eles só tentam, o tempo todo, nos ensinar a amar, pois não são eles os irracionais, os que precisam evoluir. Peço, ainda, perdão pelos atos da minha espécie e, além de chorar para aliviar a dor que sinto rasgando meu peito, continuarei agindo, sendo a voz, da forma que posso, sei e consigo, daqueles que não podem falar por si, trabalhando por um mundo melhor para TODOS, humanos e não humanos.

Aproveito pra informar que há uma petição em vigor pedindo para que o governo brasileiro proíba a exportação de animais vivos. Faça sua parte, assine aqui e compartilhe.

“Não haverá paz sobre a Terra enquanto o amor não se estender a toda a criação.” (Albert Schweitzer)

*Imagem: divulgação



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