Por que comer carne é muito mais do que uma questão de direitos dos animais

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O consumo de carne no mundo é uma questão que vai além dos direitos dos animais. A indústria da agricultura animal prejudica não somente eles, mas também gera efeitos irreversíveis à saúde da população, ao meio ambiente e, consequentemente, ao planeta. Superbactérias se proliferam, rios se tornam esgotos, matando milhares de vidas marinhas, a atmosfera fica cada vez mais poluída e grandes áreas florestais estão sendo desmatadas. Ninguém ganha com a morte de um ser senciente inocente.

*Por Kate Good para o One Green Planet

O debate sobre se os humanos devem comer carne não é novidade. No cerne dessa questão, está sempre a ética envolvida em matar seres sencientes para consumo.

É um processo sistemático e industrializado que tem muito pouco a ver com sobrevivência e tudo a ver com lucro. A maioria das pessoas que come carne não sabe a realidade de como é a vida dos animais de criação, ou prefere simplesmente não pensar nisso.

A maneira pela qual eles são criados e abatidos em fazendas industriais é suficiente para afastar até mesmo o mais ávido amante de carne.

De fato, muitas pessoas carnívoras rejeitam os argumentos dos ativistas dos direitos dos animais, porque dissociam o animal do alimento. Afinal, quantos de nós conhecemos pessoas que amam vacas e ovelhas, mas ainda comem carne?

Uma questão que vai além dos direitos dos animais

Enquanto amantes de animais, acreditamos que todo ser vivo deve receber o respeito e a liberdade que merecem. Porém, nem todos estão dispostos a fazer a conexão entre os animais que amam e a comida que comem. Ou melhor, eles ainda não fizeram essa relação.

No entanto, existem muitas outras razões pelas quais nossa escolha de consumir carne precisa ser reavaliada, como uma sociedade, que se estende muito além da questão dos direitos dos animais.

Direitos dos animais: saúde pública

Animais mantidos em fazendas industriais são submetidos a espaços extremamente confinados, onde eles são constantemente cercados por seus próprios resíduos. Essa vida é muito estressante para eles, prejudicando seus sistemas imunológicos.

Estima-se que 80% dos porcos têm pneumonia quando vão para o abate. Na tentativa de combater a doença, os antibióticos são administrados em massa na alimentação deles. Animais em fazendas industriais raramente recebem cuidados veterinários. Então, esses remédios são basicamente o único tratamento médico que eles receberão em suas vidas.

No entanto, esse uso excessivo de medicamentos levou a uma forma muito séria de preocupação com a saúde pública: as superbactérias. “Superbugs”, ou bactérias resistentes a antibióticos, são responsáveis pela morte de mais de 25.000 pessoas por ano.

Salmonella, E. Coli e MRSA são as doenças mais comuns que temos visto e são transmissíveis por carne infectada (cozinhar nem sempre mata as bactérias), ou por meio de culturas que foram fertilizadas com resíduos animais.

Fazendas industriais também armazenam resíduos de animais em lagoas gigantes, que frequentemente vazam, disseminando os resíduos para os canais locais. Além disso, as gripes aviária e suína podem ser transmitidas de animais de fazenda para seres humanos.

Direitos dos animais: poluição da água

A agricultura animal utiliza cerca de 70% de toda a água doce. Um terço dela é usada para regar cultivos que eventualmente alimentam o gado, mas a maioria é empregada na operação diária de fazendas industriais. Somente nos EUA, a EPA (conheça aqui) estima que 75% de todos os problemas de qualidade da água podem ser ligados ao escoamento agrícola.

As lagoas de resíduos também podem se romper e vazar nas vias locais, onde os nutrientes podem causar a proliferação de algas tóxicas que matam a vida marinha. Em 2011, uma fazenda de suínos em Illinois vazou 200.000 galões de esterco e mais de 110.000 peixes foram mortos (saiba mais aqui).

Direitos dos animais: poluição do ar

As fazendas industriais são verdadeiras máquinas de poluição. A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) estima que a produção pecuária é responsável por 14,5% das emissões globais de gases de efeito estufa. Enquanto outras organizações, como o Instituto Worldwatch, calculam que poderia chegar a 51% (veja aqui).

Cerca de 37% das emissões de metano causadas pelo homem vêm da indústria pecuária (confira aqui). Além disso, cerca de 90 milhões de toneladas de dióxido de carbono são emitidas anualmente para a atmosfera, devido ao uso de combustíveis fósseis para fertilizantes, transporte e operação de fazendas industriais.

De acordo com a EPA, a agropecuária é responsável por 50% a 85% de todas as violações de amônia provocadas pelo homem nos EUA.

Direitos dos animais: desmatamento

A agricultura é responsável por cerca de 80% do desmatamento no mundo. A maior parte ocorre em florestas de corte raso, para cultivar milho e soja, cuja maior parte é destinada a alimentar o gado.

Aproximadamente 33% da terra do mundo é destinada ao cultivo de gado (saiba mais aqui). À medida que o consumo de carne cresce, aumenta também a demanda por alimentos, o que significa que mais terras precisam ser desmatadas para cultivar culturas adicionais para o gado. O que isso geralmente significa, é que áreas remotas da floresta tropical são destruídas no processo.

A agropecuária também contribui para o desmatamento na forma de pastoreio de gado. Da mesma forma, cerca de 26% da terra mundial é usada para pastar gado (veja aqui). Na Amazônia, esse número chega a 80%.

Ecossistemas preciosos estão sendo destruídos para alimentar nosso apetite por carne. Algumas espécies de animais se tornaram criticamente ameaçadas, devido à invasão da agricultura animal.

Direitos dos animais: uma questão global

O sistema alimentar global, dominado pela agricultura animal, está no centro da nossa crise ambiental. Esta indústria destrutiva ocupa atualmente mais da metade dos recursos de terras aráveis do mundo, utiliza a maioria de nossas reservas de água doce e gera emissões de gases do efeito estufa.

Além disso, este sistema causa poluição excessiva do ar e da água, degradação do solo, desmatamento e está levando inúmeras espécies à beira da extinção.

Ao optar por comer mais alimentos à base de plantas, você pode mudar esse quadro. Com a riqueza de opções disponíveis veganas, nunca foi tão fácil comer com o planeta em mente.

*Fonte: One Green Planet

*Imagem: divulgação



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