Desafios do mundo esportivo e veganismo

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*Por Anderson Bassi

liberdade, animais, cavalos, ativismo, veganismo,vegan, vegetarianismoCerto dia, assisti ao filme sobre a escritora Hannah Arendt e, nele, ela faz uma reflexão sobre o julgamento do nazista Adolf Eichmann. O que me chamou atenção foi a argumentação usada em sua defesa, onde o nazista retrata simplesmente que não pensava no que era certo ou errado, apenas obedecia.

Neste momento, fiz uma conexão com a esquizofrenia moral que vivemos, pois ao comermos um animal, ignoramos a parte do cérebro que entende ser errado. Dessa forma, nós deixamos assumir o lado que não pensa, ou seja, nos tornamos seres incapazes de pensar.

Foi assim que Hannah Arendt concluiu acerca de Adolf Eichmann, um ser incapaz de pensar, possibilitando que ele enviasse milhares de judeus à morte e não sofresse com isso. Pensar é antes de tudo um ato de coragem e, principalmente, de existência própria!! Certo dia escutei o vocalista da banda Nação Zumbi dizer uma frase que acredito ser nosso grande desafio: “Pilotem suas próprias cabeças”.

JanainaDentro do esporte já é sabido que não é o mais forte, alto e rápido que irá vencer, mas sim, o atleta mais inteligente. Portanto, daqui para frente, diminuir ou abandonar o consumo de produtos de origem animal, será algo cada vez mais usual e convencional no esporte. Ainda há treinadores que defendem o uso da carne.

O mundo esportivo é extremamente difícil, baseado em mitos e senso comum. Dentro desse contexto, os treinadores aspiram que seus atletas estejam entre os melhores, quebrem recordes etc. Em contrapartida, eles têm que lidar com a fragilidade humana, a estagnação no treinamento, a falta de recursos e infraestrutura, o doping, a melhor e mais competente concorrência, entre outros. Enfim, todas essas variáveis fazem com que, na maioria das vezes, a ética e o bom senso acabem ficando de lado, basta ver os crescentes escândalos de doping.

Em meio a essa confusão toda, o treinador se vê diante do novo e, como todo ser humano, ele se assusta, pois tem receio que seu atleta regrida. Como o medo nunca é o melhor conselheiro, o treinador constrói argumentos para que seus paradigmas não sejam quebrados. Por fim, é somente mais do mesmo: medo do novo.

Jailson NunesJá imaginaram se, como espécie, o nosso organismo necessitasse de determinado alimento ou se fizesse distinção da origem de nutrientes? Certamente nossa espécie não teria sobrevivido.

Uma característica latente nos seres humanos é a adaptação, razão pela qual o treinamento precisa ter um planejamento. Logo que iniciamos uma rotina, nosso organismo se adapta e não mais quebramos a homeostase, esse é o maior motivo da estagnação no desenvolvimento físico, seja lá qual for o objetivo. Após a adaptação, o exercício deixa de fazer efeito, sendo necessário um estímulo diferente. Por esse motivo, é muito importante a presença de um Profissional de Educação Física, para melhor elaboração dos treinos dentro da rotina que a pessoa irá seguir, para que ela possa, assim, alcançar seus objetivos.

Toda mudança requer para nós um tempo de adaptação. Falando de alimentação e todas as coisas que nela estão envolvidas, teremos um longo período de adaptação até a libertação animal. É preciso ter paciência, muita paciência, para que possamos apoiar uns aos outros nessa transição. São muitos paradigmas a quebrar, porém, muitos já foram superados.

AtletasUma atleta profissional precisa de produtos de origem animal? Não. Um atleta amador precisa de produtos de origem animal? Também não. É preciso usar produtos de origem animal para ter saúde? Não.

O maior desafio de um esportista amador é conciliar o trabalho, família, lazer, vida social com os treinos e competições. Ser vegano será o menor dos problemas para esse atleta amador, aliás, diria que será a solução para maioria deles, como por exemplo: a fácil digestão. Comer carne e em seguida ter que enfrentar uma sessão de treinos é muito difícil, fora os riscos de o praticante passar mal. Com uma alimentação vegana o atleta pode ter melhor logística no seu dia a dia, treino e trabalho se tornam mais eficientes, sobrando tempo para o lazer, família etc.

Aproveito o momento para explicar abaixo as diferenças básicas entre esporte, atividade física e exercício:

VeganWayTeam– Esporte: envolve competição, regras etc. Isso muda tudo, pode não ser saudável em alguns momentos, envolve riscos e interesses financeiros. Dentro do esporte nós temos:

* Atletas profissionais: fazem do esporte sua fonte de renda, envolve uma brutal rotina de treinos.

* Esportistas amadores: participam de competições. Porém, não têm isso como fonte de renda. Gosto de dizer que amador é: ama + dor.

– Atividade física: é qualquer movimento corporal, mas sem objetivo de desenvolvimento físico, pode ser o simples ato de levantar da cadeira, passear de bicicleta, caminhar até a padaria etc.

– Exercício: atividade programada, ou seja, manutenção da qualidade de vida, por exemplo: musculação, yoga, correr, pedalar, nadar, etc.

Nilson MalacridaPara veganos ou carnistas, o fato é que nosso corpo precisa de movimento! O sedentarismo hoje é a maior causa morte no mundo, mesmo com parte dele não conseguindo fazer uma refeição diária, morrem muito mais pessoas por obesidade e sedentarismo do que por fome.

Enfim, saúde não é um único ato isolado, saúde é um estilo de vida, que se inicia com uma boa noite de sono, com uma vida ativa e com decisões saudáveis. Nesse contexto, acredito que tanto para o esporte, quanto para a saúde, o veganismo será o alicerce das estruturas.

Triabraxxx e bons treinos!!!

Anderson-Bassi

Anderson Bassi é formado em Educação Física, treinador e educador físico. Contatos:

– Email: andersonbassi@hotmail.com
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– Instagram: @anderson_bassi

Imagens: Anderson Bassi

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