Compaixão a todos os seres – a proposta da psicóloga Clare Mann

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Clare Mann aborda em “Vystopia: a angústia de ser vegano em um mundo não vegano”, que os veganos devem estender sua compaixão aos humanos que consomem produtos de origem animal. A autora defende que quem adota o veganismo precisa deixar de encarar como um inimigo aquele que não pratica esse modo de vida. Neste artigo, o ativista Alta Almeida revela como buscou colocar essa proposta em prática e mostra quais são suas conclusões.

*Por Alta Almeida

No livro Vystopia, da psicóloga australiana Clare Mann, é abordado que veganos têm que mudar sua visão das pessoas. Eles devem passar a encará-las não como inimigas, mas como um outro lado da mesma moeda, que precisa ser conquistado. Ou seja, enquanto enxergarmos o “não vegano” como oponente, deixamos de levar a mensagem de compaixão a ele e a não vê-lo como igual. Passamos a ser, então, justamente o que condenamos: especistas.

Esse livro me fez mudar frontalmente minha visão do outro. Me fez estender meu círculo de compaixão muito além do que ele havia alcançado. A partir desse momento, passei a ter paciência e exercitar um real amor com as pessoas, entendendo que, pelo fato de não serem veganas e terem as reações mais diversas possíveis à proposta do veganismo, passei a vê-las realmente como iguais e dignas de uma oportunidade de conhecer a compaixão e o amor por todos os seres.

Minha vida melhorou, e muito. Tirei um dos amargos que carrego comigo, apesar de muitos outros referentes à luta da causa animal ainda incomodarem bastante.

Colocando em prática a compaixão defendida por Clare Mann

Mas, como somos humanos, eu gostaria de dar dois exemplos do exercício dessa compaixão. Vamos começar pelo mau exemplo. Recentemente, em uma ação de nosso grupo ativista Direct Action, onde o objetivo era conversar com as pessoas e mostrar a ótica do veganismo, reagi a uma senhora como eu agia antigamente. Fui ríspido, dentro dos limites da educação. Ela se aproximou, dizendo:

Olha, vocês não são daqueles que não comem carne, não é? Porque sou gaúcha e adoro um churrasco.

Não resisti e comecei a descarregar um caminhão de comentários (corretos, é claro). Mas, de maneira agressiva a cada novo comentário dela. Concluindo, a afastei do veganismo e também de veganos, pois sei que ela passou a considerá-los como os mais chatos do mundo. Consequentemente, a aproximei mais ainda do consumo e exploração de animais.

Agora, o bom exemplo. Participei de um fórum de discussão, onde o assunto era a prática de yoga. Só que, dessa vez, financiada pela Nestlé, uma das exploradoras mundiais de animais. De forma compassiva, coloquei na discussão a exploração dos animais pela empresa.

Enfrentei resistências a princípio, como o comentário que ali era um local para se discutir yoga e não veganismo etc. Só que minha abordagem foi repleta de compaixão. Fui dando respostas a perguntas mais cáusticas sempre com bastante conteúdo e também para as perguntas mais inocentes.

Isso também aconteceu em nosso grupo do São Paulo Animal Save, no Facebook, onde usei a mesma abordagem com jovens debochados, que resolveram ridicularizar posts e a página, e a recepção foi totalmente diferente. As pessoas foram sendo aos poucos conquistadas, pois perceberam que minha posição não era de confronto, mas de aproximação, de entrar na ótica do outro com compaixão e mostrar a nossa verdade.

Clare Mann e a compaixão a todos os seres: um novo olhar

Passei, então, a acreditar piamente na simples, mas revolucionária proposta colocada por Clare Mann. Se veganismo e ativismo são uma proposta de ética, de respeito aos direitos e de compaixão a todos os seres, talvez o ser humano seja o mais difícil de lidar, devido ao seu egocentrismo, mesquinhez e grau latente de destruição a tudo.

Se olharmos e atuarmos com o olhar de compaixão, temos, então, uma arma muito forte a favor de todos os animais e também dos humanos. Isso não exclui momentos de sermos duros, mas justos, de sermos enérgicos, principalmente no ativismo, quando temos que bater de frente com indústrias exploradoras e um sistema assassino que executa e escraviza os animais.

Temos que usar, enfim, o tom certo. Ao meu ver, ampliar nossa compaixão às pessoas, mas sempre sermos implacáveis com a indústria e a mídia que come em sua mão.

Abraços abolicionistas,

Jay Ho

Alta Almeida

Sobre Altair Almeida

Clare MannAltair Almeida é engenheiro eletrônico, profissional de marketing, escritor, radialista e vegano. Apresenta o programa “Veganismo, um novo mundo é possível” na rádio Transcendental.

Contatos:

– Site São Paulo Animal Save: http://thesavemovement.org/
– Facebook São Paulo Animal Save: https://www.facebook.com/savemovementsaopaulo/
– Instagram São Paulo Animal Save: @spanimalsave
– Site Direct Action Everywhere São Paulo: http://directactioneverywhere.com
– Facebook: Direct Action Everywhere São Paulo: https://www.facebook.com/dxesaopaulo/
– Instagram Direct Action Everywhere São Paulo: @directactioneverywheresaopaulo

*Fonte e imagem: Alta Almeida

Obs: O conteúdo deste artigo é de responsabilidade do autor.



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