Como lidar com pessoas contrárias ao veganismo?

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*Por Hélio Del Poente Simon

Esta é uma reflexão que fiz sobre o que aprendi nesses quase dois anos em que me tornei vegano, com relação ao convívio ou não com pessoas que rejeitam e/ou se desestabilizam acerca do vegetarianismo e/ou veganismo. O que devemos fazer ao lidar com elas? Nada… porque é a escolha delas e cabe à nós apenas respeitá-las, quem quer que sejam para nós!

Não importa o quão benéfica sabemos que é essa (nossa) missão, nem todos estão interessados em se “conscientizar”, e alguns irão rejeitá-la por suas próprias razões. Podemos decidir avançar ou “ficar” com essas pessoas e, se escolhermos ficar “insistindo” com elas, a nossa missão se tornará negativa por tentarmos cumprir o que acreditamos: trazer todos para uma nova consciência.

Quanto mais expandimos nossos paradigmas e nos tornamos compassivos, mais procuramos a participação de todos que conhecemos. Queremos que as pessoas experienciem a compaixão como a conhecemos e, enquanto alguns querem, outros não, isto se torna uma grande questão para nós. Até que ponto a nossa missão, o nosso “trabalho” se estenderá e qual é o nosso papel na realização desta missão? Até onde iremos garantir que todos aceitarão a informação, para que nos esforcemos até que eles o façam? Se assim for, a nossa missão será negativa, ficaremos parados em vez de avançarmos em nosso próprio caminho. Uma escolha para a compaixão se torna um imperativo da compaixão e não é disto que se trata a nossa missão.

Contrariamente ao que alguns acreditam, não estamos aqui (nós pessoas que nos permitimos acessar a informação, que nos tornarmos pessoas mais compassivas) para facilitar a transformação do mundo. Em vez disso, estamos aqui para resplandecer intensamente a compaixão e, assim, permitirmos que todos façam as suas escolhas.

Nosso medo de que este ciclo de ascensão fracasse ou seja em vão, nos obriga a garantir que abordemos as necessidades de cada negativista e retardatário. Nosso medo de que “deixemos as pessoas para trás” baseia-se na crença de que aqueles que se desviam serão a destruição de todo o nosso trabalho, e simplesmente não podemos arriscar isso, porque ninguém que se envolve neste nível de trabalho, nessa missão, de querer recomeçar, desde o início, mais uma vez.

O que está realmente acontecendo no planeta é o encontro final dos companheiros de alma e a conclusão das promessas da alma e dos ciclos kármicos. Estamos procurando nos unir e/ou nos unindo aos nossos parceiros de almas mais difíceis, para fazermos um último esforço para “trazê-los à luz”, e eles estão resistindo aos nossos esforços com toda força que possuem. Quando acreditamos que o nosso propósito de vida é garantir que as pessoas aceitem/permitam acessar a informação, se transformem em pessoas melhores, pessoas mais compassivas, nós nos comprometemos com uma batalha que não podemos ganhar, embora acreditemos que devemos ganhá-la, por tudo o que ela representa, ou seja, a busca de um mundo melhor para todos os seres vivos do nosso planeta.

Por mais que saibamos o quão importante e necessário é continuarmos firmes em nossos propósitos, seguir em frente na nossa missão, realizar de fato a diferença que queremos ver no mundo, o nosso propósito não é e nunca foi dependente das ações de qualquer pessoa. Podemos seguir em frente, é o que devemos fazer, porque quando abandonamos a nossa luta para garantir que todos acolham a luz, não avançamos e criamos novos paradigmas, e é onde ficamos presos! Por um lado, desejamos seguir em nossa missão, continuar levando informação às pessoas, mas por outro lado, há a crença de que os retardatários irão criar maldades para nós e isso nos bloqueia.

Mas isto não é verdade, uma vez seguindo em nossa missão e certos de tudo que já absorvemos e colocamos em prática, não requer participação total no mesmo nível para todos. Precisamos continuar sendo um farol de luz pelo qual todos possam se inspirar. Devemos também reconhecer que, para alguns, uma luz brilhante é irritante e não inspiradora, que não é algo que normalmente as pessoas queiram se envolver. Então se este farol de luz for usado como um golpe de luz, faremos mais inimigos do que amigos, e nos manteremos estagnados, em vez de usarmos cada passo de nossa própria jornada de ascensão como uma fonte de inspiração para todos ao nosso redor.

Sei que isto não é fácil de fazer, que a pessoa que você tenha que permitir que escolha a sua própria escuridão em vez da luz compartilhada, seja o seu companheiro, amigo ou familiar. Então, o desejo de fazer com que essa ou essas pessoas se unam à você nessa missão, na sua luz, pode substituir a sua capacidade de aceitar a escolha delas. É importante lembrar que até a escuridão e a densidade são níveis diferentes de luz e, eventualmente, todos fazem o que é certo e melhor para cada um, dentro de suas percepções e consciências. Não há necessidade de se sentir culpado ou ineficaz, fazemos o que podemos e o resto é uma escolha que todos devem fazer, que cabe única e exclusivamente às pessoas.

Siga em frente e com confiança em sua missão, brilhe intensamente a sua luz. Faça isto com alegria e saiba que, quanto maior for a sua alegria, mais intensamente a sua luz brilhará para todos. Não temos obrigação com aqueles que rejeitam a luz, a não ser permanecermos firmes em nossa própria missão de farol de luz e aceitarmos as escolhas dos outros. As luzes mais brilhantes atraem mais atenção ao brilharem, assim, esteja na alegria e viva a sua vida através de sua intenção para a paz, o amor e a prosperidade para si, para que você crie esta marca energética para a Terra e para a humanidade.

Gratidão!

*Leia outro artigo do autor:No veganismo, descobri o real e verdadeiro sentido da FELICIDADE”.

helio-del-ponteSobre Hélio Veg

É vegano, pet sitter e voluntário da Mercy For Animals Brasil em São Paulo/SP.

Contatos:

E-mail: hdelpoente@terra.com.br
Facebook: Hélio Veg – https://www.facebook.com/hdelpoente e Hélio Del Poente Simon – https://www.facebook.com/sol.nomis
Instagram: @hdelpoente

Imagem: divulgação

Obs: O conteúdo deste artigo é de responsabilidade do autor.



Discussão4 Comentários

  1. Primeiramente, artigo incrível! Reflete muito bem meu sentimento nesse mundo veg que estou caminhando por só humildes 4 meses. Acredito que pra quem está começando é o maior entrave, pois “novatos” não tem a experiência de lidar com isso: é tudo novo!
    Eu particularmente, pouco falo ou comento sobre minha mudança alimentar e postura de vida. Primeiramente, pois como eu já disse, sou novato. Não tenho ainda um fundamento preciso a ponto de discutir com alguém sobre isso, além do mais não acredito que valha a pena. É um ato que me faz bem, me faz feliz e isso que importa. É muito delicado as vezes, pois temos o desejo interno de compartilhar isso, é uma necessidade humana, porém nem todos estão abertos a isso e o pior, não estão aberto nem ao mesmo a compreensão.

    Enfim…muito bom o seu texto Hélio e me veio em ótimo momento onde busco amadurecimento e conhecimento. Obrigado e um grande abraço! #VamosSeguirNaLuta

    • Olá Mateus, muito obrigado pelas palavras! Gratidão! Te desejo muita força, foco e determinação na sua jornada, por que sei que às vezes ainda pode ser um pouco difícil, com relação a todas as mudanças de hábitos que ao longo dos anos somos tão condicionados em praticá-las, mas sempre tenha em mente que o mais difícil mesmo, pelo menos por enquanto, é encontrar uma maneira equilibrada de continuar firme e sempre motivado no veganismo, digo isso relacionado ao fato de convivermos com pessoas que às vezes são muito próximas a nós, pessoas que sabemos que são amorosas e compassivas, porém jamais se permitirão estender sua compaixão aos animais. Conte sempre comigo, se puder ajudar de alguma forma terei o imenso prazer em ajudar! Grande abraço!

    • Olá Jana, primeiramente muito obrigado pela sua mensagem! Fico muito feliz em saber que minhas palavras de alguma forma te ajudaram continuar firme e motivada na transição para o vegetarianismo. Como disse no meu artigo, depois que estamos mais certos das nossas escolhas, que já conseguimos perceber e entender que fazer a transição alimentar nem é tão difícil assim, é nesse momento que percebemos que de fato o que pode ser um pouco mais difícil é a convivência social, familiares, amigos e pessoas próximas (trabalho, colégio/faculdade, etc.). Mas também é uma etapa a ser superada ou pelo menos que conseguimos conviver sem grandes problemas. Precisamos sempre focar em ser o exemplo, e assim às pessoas entenderão por elas mesmas que estamos fazendo a coisa certa. Te desejo sucesso e sorte em sua jornada no vegetarianismo/veganismo! Se precisar de alguma ajuda, e se estiver ao meu alcance, terei o mair prazer em ajudar de alguma forma! Gratidão!

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