Polícia Federal denuncia caça ilegal de onças-pintadas na Floresta Amazônica

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No último domingo (04), o programa Fantástico, da rede Globo, mostrou uma investigação da Polícia Federal sobre a caça ilegal de onças-pintadas na Floresta Amazônica. A reportagem revela a ação de caçadores na região e detalhes dessas ações criminosas.

A matéria começa com a exibição de imagens que os caçadores fazem no momento da caça, apresentando os animais como se fossem troféus. A atividade ilegal, conforme a Polícia Federal, era realizada na região do Acre.

A matéria apresenta, ainda, gravações dos assassinos, identificando o como líder do grupo criminoso. “Eu vou porque eu sou viciado. Fui quarta, fui hoje, vou amanhã de novo. E assim vai. É minha diversão. Não bebo, não fumo. Minha diversão é essa”, declara um dos criminosos.

Victor Negraes, delegado da Polícia Federal, informa que as caças eram feitas semanalmente e 1000 onças podem ter sido abatidas, num período de 30 anos, aproximadamente.

Joel Bogo, Procurador da República, diz que esse caso pode ser um dos maiores desse tipo, que eles já investigaram.

Caça ilegal de onças-pintadas: o grupo criminoso

O Procurador da República conta que o identificado como líder era quem coordenava o bando e autorizava quem participava. Ele era conhecido na região por ter atendido uma onça em cativeiro, que precisou de tratamento dentário.

“Nós procuramos ele para que nos ajudasse nesse procedimento da onça. Ele tem facilidade e agia naturalmente”, explica um médico veterinário.

A Polícia Federal investigou o líder e mais seis outros homens.

No período de um mês, foram identificadas 7 caçadas, não somente de onças, mas também de outros animais silvestres, segundo o delegado. A reportagem revela que somente em 4 semanas foram mortos 31 animais. Nesse total, 6 eram onças-pintadas.

Caça ilegal de onças-pintadas: detalhes das atividades criminosas

O delegado Victor Negraes detalha como as caças eram realizadas. “Eles iam aos locais de caça até as zonas rurais, de municípios da região, em que esses animais eram encontrados, áreas de reserva de fazendas. Esses sujeitos incursionavam nessas áreas de floresta e atraíam a onça a partir de algum vestígio que essas pessoas que trabalhavam nas fazendas repassavam aos caçadores”. Ele acrescenta que eles ingressavam nesses locais com autorização dos donos das propriedades.

Diogo Scalia, perito criminal federal, acrescenta que os caçadores usam cães nas caçadas. “Eles caçam com cachorros, de forma que eles conseguem farejar a onça. É um grupo de vários cães, e assim eles abatem o animal”.

Nathália Mai de Rose, perita criminal federal, revela, ainda, que os cães são maltratados para que a caça seja bem sucedida. “Eles são submetidos a procedimentos bem cruéis. Ficam privados de comida, para poderem ter esse instinto deles mais desenvolvido, para que tenham a violência instigada”, pontua.

Os cachorros que não atendem às expectativas são descartados, de acordo com a reportagem.

Em 2016, a Polícia Federal apreendeu 15 cães que eram treinados para caçar.
A matéria exibiu alguns deles. Hoje, eles ainda possuem cicatrizes de quando ainda eram obrigados a praticar os atos ilegais. Mas, já estão adaptados para a convivência social.

Caça ilegal de onças-pintadas: destruição da Floresta Amazônica

A reportagem foca também no desmatamento provocado por essas caçadas. “Tudo está conectado. As populações de fauna, da flora. Então, se você elimina um elemento do topo de cadeia como a onça, você gera um desequilíbrio ecológico em todo aquele ecossistema e compromete a sustentabilidade dessa floresta por um longo prazo”, explica o engenheiro florestal da WWF Brasil, Moacyr Araújo.

Caça ilegal de onças-pintadas: providência da Justiça Federal

Em julho de 2019, a Justiça Federal aceitou a denúncia do Ministério Público Federal. De acordo com a reportagem, os 7 acusados agora são réus.

“Os crimes aos quais eles foram indiciados são de: caça de animal silvestre, com uma pena aumentada por envolver animal ameaçado de extinção e associação criminosa armada, além de posse ilegal de armas de fogo”, segundo o delegado Victor Negraes.

No entanto, os réus ainda estão soltos.

Para conferir a reportagem na íntegra, clique aqui (O vídeo contém imagens fortes).

*Fonte: Fantástico

*Imagem: divulgação/Fantástico

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