Berlim abre “hotéis” para ajudar a salvar abelhas

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Uma bióloga e um apicultor criaram na Alemanha um projeto para salvar abelhas. Nomeada de “Berlim is buzzing” (“Berlim está agitada”, em português), a iniciativa abriga colmeias em diversos locais públicos da capital alemã, para chamar a atenção da situação delicada dos insetos, que estão quase em extinção. Vinte e cinco municípios do país participam da ação.

*Por Aleksandra Pajda para o One Green Planet

A Catedral de Berlim, um dos principais marcos e edifícios mais impressionantes da cidade, é o lar de dezenas de milhares de residentes improváveis. Sob a cúpula, a catedral esconde uma das mais de 15 colmeias instaladas em vários prédios de Berlim, todas parte da iniciativa “Berlim is buzzing!”, que visa chamar a atenção para a situação difícil em que as abelhas estão agora.

Como o projeto para salvar abelhas começou

A iniciativa foi lançada em 2010 pela bióloga Corinna Hoelzer e seu marido Uwe Marth, informa o Washington Post.

A bióloga se inspirou em um apicultor amador que estabeleceu uma colônia de abelhas no telhado de uma casa de ópera de Paris, na década de 1980.

Desde o início, “Berlim is buzzing!” e seu projeto irmão “Germany is buzzing” ( “A Alemanha está agitada!”, em português) colocaram colmeias e “hotéis” especiais de abelhas em prédios como a Assembleia Legislativa de Berlim, um teatro da cidade, um planetário e o Ministério das Finanças da Alemanha.

Um deles também foi instalado no parque da residência do presidente. A colmeia da catedral de Berlim está sendo cuidada pelo apicultor Uwe Marth e abriga cerca de 30.000 abelhas. A iniciativa agora está ativa em 25 cidades na Alemanha.

Estatísticas comprovam redução e importância das abelhas

As abelhas, embora mais importantes para o planeta do que a maioria de nós imagina, estão em declínio há anos.

Nas últimas décadas, a população de abelhas nos EUA vem diminuindo em 30% ao ano. O uso excessivo de neonicotinóides, um inseticida pulverizado nas plantações, mudanças climáticas e perda de habitat contribuem para a queda de abelhas.

O que muitas pessoas não percebem, no entanto, é o papel que esses insetos desempenham em nossas vidas diárias. 70 das 100 principais culturas alimentares cultivadas no mundo contam com abelhas para a polinização, o que equivale a 90% da nutrição mundial.

Verificou-se que apenas 2% das espécies de abelhas selvagens contribuem com 80% das visitas de polinização de culturas observadas globalmente – o que torna o desaparecimento desse pequeno percentual uma perspectiva muito sombria.

“As abelhas são uma ótima referência para explicar todo o resto”, disse Hoelzer ao The Washington Post. “Sem polinizadores, não temos um ecossistema saudável”.

Estamos despertando para o fato de que é do nosso interesse perceber o problema e começar a proteger os polinizadores.

A Assembleia Geral da ONU declarou o Dia Mundial da Abelha em 20 de maio, uma ideia iniciada por apicultores na Eslovênia. Na ocasião, a chanceler alemã Angela Merkel pediu a todos que “pensem na biodiversidade e façam algo de bom para as abelhas”, enfatizando a gravidade da questão.

O projeto de Hoelzer é uma maneira de ajudar os polinizadores e lançar luz sobre a questão, educando os outros e permitindo que eles percebam o significado das abelhas.

Atitudes simples que podem salvar abelhas

Nós devemos adotar medidas em nosso cotidiano para ajudar a salvar abelhas, já que nossa própria sobrevivência pode depender disso. Aqui estão alguns passos que você pode seguir:

– Compre produtos orgânicos locais (cultivados sem os pesticidas que prejudicam as abelhas). Se você tem um quintal, cultive plantas que apelam para as abelhas, como lavanda, sálvia, tomate, abóbora e hortelã.

– Evite o uso de pesticidas nocivos durante a jardinagem.

– Coloque pequenos recipientes de água para as abelhas beberem quando visitarem seu quintal – as abelhas também ficam com sede!

– Deixe seus representantes públicos saberem que proteger as abelhas é uma questão de importância vital.

*Fonte: One Green Planet

*Imagem: divulgação



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