Usando uma variedade de táticas no ativismo animal

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Atualmente, há diversas formas de ativismo animal: campanhas nas redes sociais, manifestações nas ruas, atos em público, entre outros. Mas, qual é o mais eficaz? Neste artigo, o especialista em direito animal, Mark Hawthorne, explica a importância de cada ação e faz uma reflexão sobre o assunto.

*Por Mark Hawthorne

Qual é o modelo mais eficaz de ativismo animal? É uma pergunta que ouço muito, especialmente de ativistas mais recentes. Eu não gostaria de caracterizar uma forma de ativismo como a mais eficaz. Todo movimento de justiça social precisa de uma variedade de formas, e as pessoas geralmente precisam ouvir uma mensagem de diversas maneiras.

Ativismo animal na internet

Alguns ativistas de longa data criticam o chamado “ativismo hashtag”. Mas, ele tem um lugar inegável em nosso movimento. É uma porta de entrada para que novos (e talvez introvertidos) ativistas facilitem as campanhas.

Como um artigo recente no site Psychology Today observou (veja aqui), “o ativismo hashtag pode ser uma forma poderosa de controlar uma narrativa sobre uma causa comum que foi negligenciada ou deturpada pela mídia corporativa. Ele oferece a oportunidade de participação comunitária em todo o mundo”, revela o artigo.

Ativismo animal em público

Embora atos em público possam não ser para todos, é claro que eles causam impacto. Em 2017, por exemplo, cerca de 20 ativistas confrontaram o estilista de peles Michael Kors, durante um discurso.

Sete meses depois, ele concordou em produzir roupas livres de ingredientes de origem animal. Sua proibição de peles foi um resultado direto da manifestação? Não. Mas, era mais uma mensagem forte que ele não podia ignorar.

Ativismo animal em vigílias

Já ouvi alguns ativistas depreciarem a participação em vigílias e no transporte de animais para o abate, considerando uma perda de tempo. Mas, essas atividades, que geralmente são muito dolorosas, podem resultar em imagens poderosas, que podem ir além da comunidade vegana na qual elas são compartilhadas.

Meu ponto é que, cada um desses modelos tem um lugar no ativismo animal. Precisamos de todas as ferramentas para que nossa mensagem seja ouvida.

Cada pessoa teve uma primeira exposição a uma mensagem de direitos dos animais, seja em forma de documentário ou um panfleto, que resultou na sua adoção ao veganismo. Há várias pessoas que precisam de muito mais exposição à mensagem antes de se tornarem veganas.

Elas precisam ouvir sobre isso de sua família e amigos, têm que ver na internet, necessitam ler, entre outros. Podem até precisar ouvir podcasts sobre isso ou assistir a uma curta palestra no TEDx.

A triste verdade é que as pessoas temem mudanças e foram condicionadas a acreditar que a exploração e o consumo de animais são socialmente aceitáveis, de modo que os ativistas têm um enorme obstáculo culturalmente imposto a superar.

Ativismo animal: é preciso muito planejamento e marketing

Quando várias táticas fazem parte de uma campanha mais ampla, é importante que elas sejam coordenadas para alcançar um objetivo estratégico.

Uma campanha para que um restaurante local pare de servir foie gras, por exemplo, deve contar com táticas de comunicação com o proprietário, assim como divulgação na comunidade e manifestações em frente ao negócio. Mas, tudo precisa ser cuidadosamente planejado para se encaixar e, gradualmente, se expandir, para alcançar um impacto mais poderoso.

Há um princípio de marketing chamado Regra dos Sete. Essa técnica consiste em que um cliente em potencial precisa captar sua mensagem pelo menos sete vezes antes de comprar seu produto ou serviço. Os especialistas em marketing dirão que, para alcançar essas sete recepções, você nunca deve confiar em apenas um tipo de publicidade, seja em anúncios impressos, rádio, outdoors, televisão, boletins informativos, anúncios digitais ou qualquer outra coisa.

Sim, estamos falando do capitalismo. Mas, não vamos ignorar como nós, ativistas, podemos nos beneficiar dessa sabedoria. As pessoas demoram a confiar. Então, convencê-las a acreditar que precisam mudar seu comportamento é um desafio.

Ativismo animal: o poder das narrativas

Um dos modelos de ativismo, que eu acho especialmente poderoso, é o de contar histórias, narrativas sobre animais e nossas próprias transformações de onívoros a veganos.

A verdade é que os humanos amam histórias. Na verdade, nossos cérebros se iluminam quando ouvimos ou lemos uma boa história. Há alguns anos, neurocientistas da Emory University (EUA) estudaram os padrões neurais de voluntários que leram um romance baseado em fatos reais (confira o estudo aqui).

Os resultados mostraram que a conectividade no córtex temporal esquerdo dos participantes (a parte do cérebro associada à receptividade para a linguagem) foi aumentada por vários dias depois. Resultados como esse sugerem que as narrativas têm muito mais significado para as pessoas do que fatos e dados. Em outras palavras, boas histórias podem colocá-lo no lugar de outra pessoa.

Somos atraídos por histórias de como as pessoas superaram as adversidades para se tornarem uma versão melhor de si mesmas. Acho que esse arco pode ser aplicado à pessoa que se afasta da carne, ovos e laticínios para abraçar o veganismo.

Ativismo animal: todas as manifestações são válidas

Quando pressionado sobre qual é o meu modelo favorito de ativismo, eu respondo que é qualquer um que você considera mais gratificante. É esse que vai nutri-lo e mantê-lo no movimento.

Eu amo a observação da ativista Pattrice Jones. “Todo movimento de mudança social bem sucedido envolveu uma multiplicidade de pessoas usando uma variedade de táticas para abordar um problema a partir de uma diversidade de ângulos”, diz.

“Algumas pessoas pressionam contra as coisas ruins que precisam ser mudadas, enquanto outras buscam as boas alternativas. Algumas trabalham para minar sistemas destrutivos de dentro, enquanto outras estão derrubando as paredes pelo lado de fora. Todos nós precisamos reconhecer isso e encontrar nosso lugar dentro de uma luta multifacetada, sendo certos de sermos generosos e agradecidos por aqueles que estão trabalhando em direção aos mesmos objetivos usando diferentes táticas”, ela conclui.

Mark Hawthorne é ativista e autor de três livros sobre direitos animais e justiça social. Já escreveu diversos artigos sobre o tema e já publicou em várias revistas sobre o assunto. Recebeu alguns prêmios por suas obras, como o Mona Schreiber, em 2003.

*Fonte
: Striking at the Roots

*Imagem: The Save Movement

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