Fotógrafa retrata animais idosos em santuários e o resultado é maravilhoso

0

A fotógrafa Isa Leshko passou anos registrando animais idosos em santuários e publicou suas fotos emocionantes em um livro. As imagens são impactantes e visam mostrar o direito que todo animal tem de envelhecer. Confira!

*Por Mary Jo Dilonardo para o MNN

Quando a fotógrafa Isa Leshko conheceu Petey, um cavalo de 34 anos de idade, havia algo nele que a cativou. Seus olhos estavam cobertos de catarata e ele se movia com dificuldades, enquanto a seguia pelo pasto.

Hipnotizada pelo gentil animal, Leshko correu para pegar sua câmera.

“Eu não tinha certeza por que eu estava tão atraída por ele. Mas, continuei tirando fotos. Fazia muito tempo desde que eu tinha sentido esse tipo de emoção ao segurar uma câmera”, diz Leshko.

Leshko e sua irmã estavam cuidando de seu pai, que havia enfrentado um câncer bucal de estágio 4, e sua mãe, que estava lidando com a doença de Alzheimer.

animais idosos “Quando analisei os negativos da câmera de minha tarde com Petey, percebi que tinha encontrado uma maneira de refletir sobre minha dor e medo decorrentes da doença de mamãe. Eu sabia que tinha que encontrar outros animais idosos para fotografar”, lembra Leshko.

Mais de uma década depois, aquele encontro com Petey resultou no livro “Allowed to Grow Old: Portraits of Elderly Animals from Farm Sanctuaries” (em português, “Permitido a Envelhecer: Retratos de Animais Idosos de Santuários de Fazendas”) (University of Chicago Press, 2019). O trabalho apresenta imagens de cavalos, vacas, galinhas, cabras, porcos e outros animais de fazenda que foram resgatados e estavam vivendo seus últimos dias em segurança.

“A experiência teve um efeito profundo em mim e me obrigou a enfrentar minha própria mortalidade”, disse Leshko. “Estou com medo de envelhecer e comecei a fotografar animais idosos para ter uma visão flexível desse medo. Como conheci animais de fazenda resgatados e ouvi suas histórias, minha motivação para criar esse trabalho mudou. Quero usar minhas imagens para falar em defesa desses animais”, completou.

Animais idosos: o direito de envelhecer

animais idosos

Os animais fotografados por Leshko viviam em santuários de animais em todo os Estados Unidos. Alguns foram abandonados durante tempestades ou desastres naturais. Outros foram resgatados de açambarcadores ou de abates. Alguns foram encontrados vagando pelas ruas depois que escaparam no caminho para o matadouro. Alguns eram animais de estimação, cujos tutores não queriam mais cuidar deles.

“Quase todos os animais de fazenda que conheci para este projeto sofreram abusos e negligências horríveis antes de seu resgate”, disse Leshko.

“Cerca de 50 bilhões de animais terrestres são criados em fazendas com destino ao abate a cada ano. É um milagre estar na presença de um animal proveniente de um destes locais que conseguiu atingir a velhice. A maioria de seus parentes morrem antes de completarem 6 meses. Retratando a beleza e a dignidade de animais idosos resgatados dessas fazendas, eu convido a todos para refletir sobre o que é perdido quando eles não podem envelhecer”, argumenta.

Animais idosos: memórias dolorosas

animais idosos

As imagens costumavam ser emocionalmente difíceis para Leshko.

“Eu chorei ao fotografá-los, particularmente depois de aprender sobre os terríveis traumas que eles sofreram antes de serem resgatados”, disse ela. “Às vezes, alguns dos animais faziam com que eu lembrasse da minha mãe, algo doloroso pra mim” relata.

Na introdução do livro, Leshko descreve encontrar um peru cego que ela diz se assemelhar à sua mãe, depois que ela se tornou catatônica. “Um dos animais que conheci para este projeto foi um peru cego chamado Gandalf, que vivia em Washington (EUA). Seu olhar vazio, junto com sua boca escancarada, me transportou para o leito da minha mãe durante seus últimos meses, quando ela estava doente”, recorda.

“Eu fugi do recinto de Gandalf em lágrimas depois de passar momentos com ele. Foram necessárias mais algumas visitas antes que eu finalmente conseguisse. Fiquei impressionada com a natureza gentil e digna do pássaro, e me concentrei nesses atributos enquanto o fotografava”, acrescentou.

Animais idosos: impacto emocional

animais idosos

Os retratos amáveis e imponentes de Leshko costumam ter bastante impacto sobre as pessoas que os veem.

“Muitas pessoas choram. Recebi centenas de e-mails de pessoas de todo o mundo, compartilhando comigo a tristeza por um pai que está morrendo ou um animal de estimação amado e doente”, diz ela.

“Nas inaugurações de exposições, recebo rotineiramente abraços de pessoas que compartilham suas histórias de perda. Estou profundamente comovida pelo fato de meu trabalho ter afetado as pessoas em um nível tão emocional. Sou grata pela manifestação de amor e apoio que recebi para este trabalho”, revela.

As imagens foram terapêuticas para Leshko também.

“Passar tempo com animais de fazenda que desafiaram todas as probabilidades de atingir a velhice me lembrou que o envelhecimento é um luxo, não uma maldição”, diz Leshko. “Eu nunca vou deixar de ter medo do que o futuro tem reservado para mim. Mas, eu quero enfrentar o meu declínio final com o mesmo estoicismo e graça que os animais nestas fotografias mostraram”, declara.

Animais idosos: ‘inflexível em detalhes’

animais idosos

Ao fotografar os animais idosos, Leshko diz que queria que eles fossem “inflexíveis em detalhes”. Ela fotografou a maioria dos animais enquanto estava no chão ao seu nível em um celeiro ou pasto para fazê-los sentirem-se mais confortáveis.

“Os seres humanos são autoconscientes sobre sua idade e aparência de maneira que os animais não são”, diz ela. “Esta é uma das razões pelas quais eu não tinha fotografado minha mãe durante seus anos de declínio. Antes de sua doença, minha mãe estava muito preocupada com sua aparência”, relembra.

Os animais têm diferentes razões para esconder sinais de envelhecimento.

“Alguns animais disfarçam sinais de doença ou se camuflam para evitar ser uma presa fácil. Muitas espécies alteram sua aparência física para atrair parceiros. Mas, isso não significa que os animais são autoconscientes de sua aparência da mesma maneira que os humanos”, diz.

“No entanto, ao editar minhas imagens para este projeto, eu cuidadosamente considerei se as imagens que eu selecionei eram respeitosas com os animais que eu havia fotografado”, conta.

Animais idosos: sobrevivência e resistência

A maioria dos animais que aparece no livro de Leshko morreu dentro de seis meses a um ano depois que ela os fotografou. Em alguns casos, um animal morreu no dia seguinte ao seu encontro.

“Essas mortes não são surpreendentes, dada à natureza deste projeto. Mas, elas têm sido dolorosas, no entanto”, diz ela.

Desde que começou o projeto, ambos os pais faleceram, ela perdeu dois gatos de estimação para o câncer e um amigo próximo morreu depois de uma queda.

“O luto inicialmente inspirou este trabalho, e tem sido meu companheiro constante, já que trabalhei neste livro”, diz Leshko, que, em vez de ficar desanimada com sua experiência, encontrou um motivo para seguir em frente. “Eu prefiro pensar neles como um símbolo de sobrevivência e resistência”, afirma.

*Fonte: MNN

*Imagens: divulgação/ Isa Leshko

Você também pode gostar de ler:

Tartaruga ganha prótese feita de Lego e volta a andar

Gato mais triste do mundo apaixona e inspira milhares de pessoas

Flautista toca para animais num santuário indiano e eles adoram



Deixe seu comentário