Como nossas escolhas alimentares podem ajudar a amenizar as alterações climáticas

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As alterações climáticas estão impactando cada vez mais a vida das pessoas. Ao longo dos anos, estudos têm comprovado que as escolhas alimentares influenciam diretamente nas mudanças do clima, mais do que os meios de transporte. Os escritores Kathy Freston e Bruce Friedrich mostram a relação da degradação do meio ambiente com a indústria da carne. Eles apresentam, ainda, quais são as soluções para esse problema.

*Por Kathy Freston e Bruce Friedrich, autores do livro “Clean Protein: The Revolution that Will Reshape Your Body, Boost Your Energy—and Save Our Planet”, para o One Green Planet

Uma pesquisa recente da Gallup (veja aqui) descobriu que a maioria dos americanos não acha que as alterações climáticas terão um profundo impacto negativo em suas vidas.

Isso pode estar mudando. Muitos de nós conhecem alguém cuja casa foi queimada, inundada, destruída, danificada ou ameaçada por um evento climático extremo. Mesmo que não conheçamos ninguém afetado pessoalmente, assistimos a vídeos de pessoas que estão atordoadas e devastadas pela perda de suas casas.

Poucas pessoas pensam que uma tempestade ou seca de “100 anos” irá afetá-los. Mas, esses eventos estão acontecendo agora quase todos os anos. E isso está ocorrendo em todo o mundo.

Só de assistir ao noticiário se percebe que a mudança climática não é uma preocupação especulativa por 20, 30 ou 40 anos. Ela está causando danos reais agora. Um dos impactos diretos mais trágicos é a crise dos refugiados.

Alterações climáticas e a crise dos refugiados

As alterações climáticas tornam as secas mais profundas, longas e perturbadoras, levando pessoas para fora de suas terras. Só na Síria, essas secas já obrigaram 1,5 milhão de pessoas a deixar suas fazendas inférteis e se mudar para as cidades, desesperadas por meios de ganhar a vida. Essa ruptura e desespero alimentaram a guerra civil, causando ainda mais transtornos e refugiados.

Não é apenas o Oriente Médio. Todos os dias, moradores da Cidade do Cabo, na África do Sul, veem as realidades da mudança climática. Como muitas outras cidades, a Cidade do Cabo está atolada em uma seca prolongada, resultado de temperaturas mais altas, causando aumento nas taxas de evaporação.

Na Índia, as tensões mortais estão aumentando, já que o abastecimento de água da está perigosamente baixo em muitas partes do país. As pessoas também estão ficando desesperadas, e muitas estão sendo forçadas a deixar sua terra natal em busca de água, terra arável e espaço habitável.

Como as temperaturas e as secas provocadas pela mudança climática tornam grandes faixas do mundo inabitáveis, essas crises só vão piorar. Em questão de décadas, outras megacidades globais como Jacarta, São Paulo e Cidade do México poderiam estar na mesma situação, forçando dezenas de milhões de refugiados a tentarem se mudar para locais não dispostos ou equipados para lidar com eles.

O general reformado dos Estados Unidos, Stephen Cheney, observa: “Se a Europa acha que tem um problema com a migração hoje, espere 20 anos. Estamos falando de não apenas um ou dois milhões, mas, de 10 ou 20”.

Alterações climáticas e a carne

Quando refletimos sobre as causas dessas alterações climáticas disruptivas, a maioria de nós pensa em nossos carros. Mas, cientistas das Nações Unidas analisaram os números e determinaram que a indústria da carne é responsável por mais mudanças climáticas do que todas as formas de transporte combinadas.

É isso mesmo: a forma como atualmente produzimos carne causa mais aquecimento global do que todos os aviões, trens e automóveis juntos.

Pode parecer surpreendente, mas, considere as várias etapas da produção de carne. Primeiro, temos que cultivar muitas colheitas extras para alimentar os animais. Isso requer o corte de florestas para o plantio de mais campos.

Então, nós enviamos todas as colheitas de alimentos para uma fábrica de ração, a operamos, enviamos a ração para a fazenda e os animais para o matadouro. Realizamos operações no matadouro, refrigeramos e transportamos a carne para um processador, e assim por diante.

Há muito tempo sabemos o que poderia aliviar a mudança climática e outros impactos negativos da ingestão de carne: comer menos na cadeia alimentar. Afinal, até a proteína animal mais eficiente é muito cansativa: são necessárias nove calorias de trigo, soja, aveia e outras culturas para criar uma caloria de frango.  Uma caloria de proteína vegetal não desperdiça nenhuma energia extra.

Apesar dessa solução clara, a linha de tendência segue na direção oposta. O consumo de carne está em alta nos Estados Unidos e em muitos outros países desenvolvidos.  Nos países em desenvolvimento, como a China e a Índia, o consumo de animais está aumentando. Independentemente dos impactos negativos, fica claro que a pessoa de classe média vai comer tanta carne quanto puder pagar.

Soluções inovadoras

Felizmente, agora há opções melhores do que continuar tentando levar as pessoas a abandonar seus hambúrgueres por verduras. As inovações na tecnologia de alimentos permitiram que novas empresas dessem aos consumidores de carne o que eles querem. E de uma forma que não agrava a mudança climática, nem degrada o meio ambiente.

Ethan Brown (veja quem é aqui) é um exemplo perfeito da nova abordagem. Em 2009, ele estava trabalhando em energia limpa por causa de sua preocupação com a mudança climática. Quando ele aprendeu sobre o impacto da agropecuária industrial, ele começou a se perguntar: o que é carne, realmente? Ele percebeu que é simplesmente uma combinação de lipídios, aminoácidos, minerais e água.

Então, em vez de convencer a todos de que eles deveriam pensar mais sobre o impacto climático da proteína animal, Ethan decidiu criar uma carne amiga do clima a partir de plantas.

Carne à base de plantas

Ethan fundou a Beyond Meat para testar sua hipótese. Ele encontrou investidores e contratou cientistas de alimentos, biólogos de plantas, chefs e outros especialistas em culinária. Três anos depois, ele e sua equipe provaram que é possível produzir carne a partir de plantas.

Quando Bill Gates, investidor da Beyond Meat, experimentou as tiras de frango de Ethan, disse que não via diferença. Gates declarou: “O que eu estava experimentando era mais do que um substituto de carne inteligente. Foi uma amostra do futuro da comida.”

Em 2016, a equipe de Ethan criou sua próxima obra-prima, o Beyond Burger. O alimento é projetado para ser cozinhado e saboreado como um hambúrguer.

Ainda mais revelador é que a Tyson Foods estava tão animada que investiu na Beyond Meat. O ex-CEO do McDonald’s, Don Thompson, também está aplicando na empresa.

É claro que, se alguém não gosta de alternativas à carne como hambúrgueres e salsichas, existem alimentos simples e amigáveis ao clima que existem desde o início dos tempos: grãos integrais, feijões e legumes, nozes e sementes, frutas e vegetais. As pessoas que seguem essa dieta tendem a ter uma vida mais longa e são mais saudáveis.

Independentemente de escolhermos feijões e grãos ou frango à base de plantas, cada um de nós pode tomar medidas para se afastar das fontes industriais de carne. Proteínas limpas são o caminho, se quisermos um futuro sustentável.

*Fonte: Kathy Freston e Bruce Friedrich, autores do livro “Clean Protein: The Revolution that Will Reshape Your Body, Boost Your Energy—and Save Our Planet”, para o One Green Planet

*Imagem: divulgação



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