Alimentação infantil: mais vegetais é mais natural

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Muitas pessoas acreditam que uma alimentação infantil precisa conter proteína animal para suprir as necessidades básicas do crescimento. No entanto, não é necessário incluir carne na dieta. Há diversas leguminosas, vegetais, cereais, entre outros, que possuem substâncias essenciais ao desenvolvimento de quem ainda não é adulto. A nutricionista Natália Utikava explica mais sobre a alimentação baseada em vegetais para crianças.

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Natália Utikava, nutricionista e mestre em Nutrição em Saúde Pública pela USP, para a Aymara Una

Crianças adoram animais. Vivos. A dieta vegetariana estrita tem como premissa o não sofrimento ou morte animal para a obtenção de alimentos. Há tempos, a exploração animal pela indústria é cruel, daí a necessidade de se desenvolver a consciência alimentar nas crianças, desde sempre. E elas já têm esta noção, basta fomentar.

Além de ser um modo de vida, a dieta vegetariana estrita tem oferecido, notadamente, benefícios que vão desde uma boa digestão até a redução do risco de doenças crônicas não transmissíveis na idade adulta, tais como: diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares, câncer, entre outras.

Alimentação infantil: crianças veganas existem!

As famílias que já são veganas têm mais facilidade em criar seus filhos com base nos princípios do veganismo, nada mais natural. Elas normalmente estão bem informadas e convictas de sua escolha por uma alimentação pautada na ética. Para os outros grupos familiares, um nutricionista pode auxiliar neste processo. Recomenda-se um profissional especializado.

Alimentação infantil: a criança vai ficar fraca, sem nutrientes?

Pais e familiares têm, geralmente, muitos receios sobre a obtenção de certos nutrientes na dieta vegetariana estrita. Um dos mitos frequentes é achar que ela não consegue suprir as proteínas, o ferro, a vitamina B12, o cálcio, o zinco e o ômega 3. Também é falso achar que crianças veganas são mais fracas, que ficam doentes com mais frequência e têm o desenvolvimento físico e cognitivo comprometidos.

Alguns cuidados são sempre necessários, seja a criança onívora ou vegana. É importante escolher alimentos frescos, uma boa variedade de cereais integrais, leguminosas (feijões, grão-de-bico, lentilha, ervilha, soja, tofu etc), leites vegetais, castanhas e outras sementes oleaginosas, frutas, legumes e verduras, principalmente as verde-escuras. É preciso, também, realizar exames bioquímicos periódicos para avaliar o estado nutricional da criança e, se necessário, fazer uma suplementação.

Alimentação infantil: na minha casa pode!

Outro empecilho para a adoção de dietas vegetarianas estritas são os aspectos culturais. Na maioria dos casos, os familiares não possuem conhecimento suficiente para respeitar esta decisão, oferecendo alimentos de origem animal escondido dos pais. Os aspectos sociais também contam. Os pais devem ter atenção na convivência dos filhos com outras crianças e se a escolha da família está sendo respeitada pelos amigos e pela escola, uma vez que os vínculos da criança podem ser prejudicados.

A dieta vegetariana estrita não é sinônimo de castigo e monotonia. Os pais terão que cozinhar bastante, isso é fato, para garantir a oferta de diferentes alimentos e nutrientes à criança. Mas, há uma enorme e deliciosa diversidade de alimentos e sabores que podem ser incorporados nesta nova forma de se nutrir.

*Fonte: Natália Utikava, nutricionista e mestre em Nutrição em Saúde Pública pela USP, para a Aymara Una

*Imagem: divulgação



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